O ex-deputado federal e estadual, Antônio Saturnino de Mendonça Neto, 65, está ansioso para voltar a Alagoas, o que deve acontecer no final do mês de junho, quando o PSOL realiza sua convenção no Estado. Ele foi fundador do PMDB e filiado ao PDT e no ano passado precisou ir para o Rio de Janeiro tratar um câncer renal. Por ter melhorado, graças a uma nova medicação, decidiu retomar a vida política.
A doença lhe fez perder 20 quilos, dos quais ele afirmou ter recuperado 5. O câncer acabou se espalhando por outros órgãos, mas segundo Mendonça Neto a eficiência dos remédios surpreendeu até os médicos responsáveis por seu tratamento e o fez levantar a cabeça e querer retomar a vida pública. Persistente no combate aos ladrões do colarinho branco Mendonça Neto ficou conhecido como a “A voz que não se cala”.
Cotado para disputar uma vaga na Assembléia Legislativa, Mendonça Neto adiantou que a decisão de sua candidatura está nas mãos da presidente do PSOL e atual vereadora Heloísa Helena, que é pré-candidata ao Senado Federal. Mas, ele ressaltou que ficaria honrado se fosse convidado para ser suplente de Heloísa e se disse pronto para se engajar nas candidaturas do partido, como Mário Agra, que poderá disputar o governo do Estado.
“Eu não concordo que o PSOL lance apenas a candidatura ao Senado, mas isso vai ser discutido durante a convenção, pois a Heloísa é o símbolo do partido. Ainda não há nada oficial sobre o Mário Agra entrar na disputa para o governo, mas se isso acontecer será positivo, porque embora ele não tenha popularidade política, possui o que é indispensável a qualquer homem público, que é a honestidade e pode crescer junto com o Zé Costa. Até o dia 27 muita coisa pode acontecer”, afirmou.
O cenário político do Estado, que inicialmente teria como candidatos ao governo, Ronaldo Lessa, Teotônio Vilela e Fernando Collor preocupa Mendonça Neto, que afirmou não existir nada de novo a ser oferecido aos eleitores, o que incorreria nas mesmas promessas não cumpridas, já que os três administraram a máquina pública e conhecem os problemas enfrentados pela população. Para ele, se a população for julgar pelo que esses políticos deixaram de fazer não votará em nenhum deles.
“Essas candidaturas representam a mesma coisa e permitem que a elite continue no poder. Lessa, Collor e Teo passaram de forma desastrosa pelo governo e mostram que isso pode acontecer de novo nas composições que estão fazendo. Todos querem ser protagonistas, são dissimulados e assim como Renan, fariam de tudo para se eleger, mesmo que tivessem que ser apoiados por bandidos. Eles enriqueceram ás custas da máquina pública”, destacou.
Segundo o ex-deputado, Heloísa Helena chegou a ser procurada por Ronaldo Lessa, mas não faria determinadas alianças, já que o partido é contra o capitalismo exacerbado e a dominação do poder econômico. “Com essas pessoas no poder pode passar 20 anos que Alagoas nunca vai mudar, embora eles saibam dos problemas. As adutoras nunca ficam pontas e eles têm um comportamento indecoroso com o erário”, lembrou.
Novas e antigas alianças
Mendonça Neto lembrou que os três candidatos e o senador Renan Calheiros já foram aliados em determinados momentos da vida política. Em 1986 ele mesmo apoiou o ex-presidente Fernando Collor na disputa pelo governo do Estado. O ex-deputado afirmou ainda, que caso mantenha a candidatura Lessa não resistirá ao bombardeio da mídia local.
"Ronaldo Lessa não vai durar 30 dias com as notícias publicadas pela Gazeta. No início o Collor e o Renan fingiram o apoio. Em 2002 Renan disse que apoiava os dois candidatos ao governo, um em cada município. Isso não é comum, porque se são dois disputando, significa que um está contra o outro. Aí vai o político subir em um palanque e concordar com tudo e depois agir diferente no outro. Isso é muito cinismo. Quando não estava magoado ficava ao lado doTeo”, ressaltou.
Ele destacou que na época, o apoio a Collor só ocorreu devido ao rompimento do senador com Divaldo Suruagy, os usineiros e Gulherme Palmeira. "Achei que por ser jovem, o ex-presidente queria deixar seu nome marcado na história de forma positiva. Quando ele se elegeu para po governo colocou Antônio Holanda como secretário, os Torres na segurança e em 9 meses eu sai. Enfrentei um processo forjado, mas fui vitorioso em uma ação por danos morais. No PSOL eu deixei claro que se fosse para apoiar certos políticos eu não iria aos comícios”, relembrou.
Para ele, Renan Calheiros, mesmo sendo uma das pessoas mais influentes de Alagoas junto ao PT e ao Lula e ter sido presidente do Senado, com notoriedade nacional é rejeitado no Estado, o que segundo Mendonça Neto tem se confirmado em pesquisas de intenção de voto.
“Ele quer ganhar com os votos do interior, só que não é fácil manipular as majoritárias como as proporcionais. Tenho recebido muitos e-mails de pessoas dizendo que vão votar na Heloísa e em qualquer outro, mas não nele. Ele quer que o Luciano Barbosa obrigue o povo de Arapiraca a votar. Em Coruripe tem os Beltrão e o Albuquerque em Limoeiro de Anadia", lamentou.
Vergonha nacional
Segundo Mendonça Neto se Collor e Renan ganharem as eleições deste ano Alagoas será novamente vista como vergonha nacional. Isso devido ao Impeachment e aos escândalos no Senado, que acabaram atraindo a atenção da imprensa nacional para o Estado. Ele afirmou ainda, que o nome dos candidatos pode se tornar verbete no dicionário Aurélio, como sinônimo de corrupção.
“Se eles ganharem será ridículo e pode acontecer do Estado ser prejudicado com o repasse de verbas. O Téo ainda consegue disfarçar, mas eles não. Pelo país afora as pessoas vão se perguntar porque os alagoanos elegeram esses dois, mesmo sabendo que eles desviam dinheiro da saúde, educação e segurança para suas empresas e fazendas. Alagoas não terá jeito”, ressaltou.
O ex-deputado lamenta que mesmo com apenas dois minutos no horário eleitoral Collor tenha chance de ganhar a eleição para o governo. “Ele foi presidente quando teve esses mesmos dois minutos na tv. Com 30 segundos derrotou Lessa no Senado, mas não entendo como o povo pode se deixar enganar por duas frases. Espero que as pessoas lembrem que quando ele foi presidente e bloqueou a poupança muita gente se matou”, lembrou.
Mendonça Neto contou que o PSOL pretende elaborar uma lista com os nomes dos políticos envolvidos em corrupção que apóiam essas candidaturas. “Vamos saber quais são os fichas sujas que apóiam principalmente o Collor e o Renan. A imprensa de Alagoas deve prestar atenção nisso, mas infelizmente sofre muita pressão e boa parte é controlada por eles”,
Vitória contra o câncer
O câncer de Mendonça Neto acabou se espalhando. Ele teve depressão e outras complicações e chegou a quebrar a perna por estar debilitado. A medicação utilizada para o tratamento só começou a ser vendida em outubro do ano passado no país e no início não mostrou resultado. No entanto, após quase 3 meses de tratamento alguns tumores desapareceram ou diminuíram, reavivando a esperança do ex-deputado.
“Tomei 3 vezes para sentir os efeitos positivos. Agora o sangue que alimenta o câncer é desviado e ele morre. Alguns tumores sumiram e no rim houve diminuição. Sonho com a cura total, com a evolução das pesquisas. Não tenho medo da morte, ela vai chegar para todos um dia, mas deixei uma marca boa, não sou corrupto. Tive dois casamentos felizes e filhos lindos e agora vou dar o melhor de mim para Alagoas, que sofre com os maus políticos. Eles sim são um câncer incurável, alimentado pelos eleitores. Vou onde Heloísa mandar”, ressaltou.
