Os principais partidos de oposição etíopes denunciaram hoje, durante este domingo de eleições de alta participação da população, que ocorreram sérias irregularidades durante o processo.

Embora a maior parte dos colégios eleitorais de Adis Abeba não tenha registrado incidente, o principal partido opositor, Medrek (Fórum pela Democracia e pelo Diálogo), assegura a ocorrência de infrações à lei eleitoral "por parte dos agentes do partido governamental".

"Os agentes ficam nos arredores dos colégios eleitorais, em grupos, e dizem às pessoas que chegam que devem marcar o símbolo do partido governamental", afirmou Getahun Esatu, um dos observadores de Medrek em um posto de Adis Abeba.

Apesar dos incidentes denunciados pela oposição, a maior parte dos locais de votação registrou hoje uma presença superior a 60% dos eleitores quando tinha transcorrido a metade do horário de votação, e dados da Comissão Eleitoral revelam uma participação superior a 75%.

Já os candidatos de Medrek asseguram que, no leste da Etiópia, um eleitor foi detido ao se negar a votar no partido governamental, a EPRDF (Frente Revolucionária Democrática do Povo Etíope), enquanto no norte do país, o pouco espaço nas zonas eleitorais facilita a intimidação.

"É tudo tão apertado que qualquer que seja o posto eleitoral é possível saber em quem vota cada eleitor", disse Aregash Adane, a candidata do Medrek e a principal opositora do atual primeiro-ministro, Meles Zanawi.

O Governo e os oficiais da Comissão Eleitoral Nacional da Etiópia asseguram que o pleito está fluindo bem, sem incidentes graças ao importante aumento de mesas eleitorais, por isso que os eleitores não tiveram de fazer longas filas.

O partido governamental nega o registro de irregularidades. "É totalmente mentirosa essa acusação", disse à agência de notícias Efe o porta-voz do governo, Bereke Simon. "As eleições estão transcorrendo de forma pacífica", asseverou.

Já o chefe da missão de observadores da União Europeia, Thijs Berman, disse ter recebido queixas dos membros da oposição. "Estão chegando algumas queixas, mas não posso dizer se têm fundamento ou não", assinalou.

Embora os diferentes grupos discordem sobre a lisura do processo eleitoral, o governo e a oposição estão de acordo em que hoje não ocorreu nenhum incidente violento e que o pleito está sendo pacífico.

"Foi um domingo pacífico", confirmou o chefe da missão da UE.

Cerca de 32 milhões dos 80 milhões de etíopes estão registrados para votar nas eleições gerais de hoje, nas quais a governamental EPRDF, liderada pelo primeiro-ministro do país, Meles Zenawi, é o favorito a vencer o pleito.

Desde que Zenawi ganhou por uma pequena margem as eleições de 2005, após as que se produziram confrontos violentos nos quais morreram 200 pessoas e outras 30 mil foram detidas, a oposição acusa ao governo de reprimir os dissidentes e de impor obstáculos às campanhas dos partidos opositores.

Apesar da repressão, Zenawi obteve uma boa imagem internacional e o apoio dos EUA e do Reino Unido, além de outros países europeus, e também um amplo respaldo interno, conquistado, em boa parte, pelo desenvolvimento econômico que a Etiópia vem tendo nos últimos anos.