Famílias de um assentamento em Pernambuco estão impedindo o andamento das obras de transposição do Rio São Francisco. A área onde elas moram precisa ser desapropriada para a passagem do canal. Mas eles garantem que só vão deixar as casas depois que acertarem os valores da indenização.

A comunidade de Serra Negra fica a 60 quilômetros de Floresta. No assentamento de 2,4 mil hectares, moram 45 famílias que vivem da agricultura e da criação de bodes.

Em janeiro deste ano, a paisagem começou a mudar, por causa do início da construção do canal que faz parte do lote 9 das obras de transposição do Rio São Francisco.

O posto de saúde que atente 450 famílias de 40 comunidades da região vai ser demolido. Os moradores temem ficar sem atendimento. Três famílias também devem ter suas casas destruídas. O agricultor Nilton Oliveira terá que se mudar, com a mulher e os filhos. “A gente não tem vontade de sair de casa, mas não tem outra alternativa. Desde que eles paguem o preço justo para que a gente possa construir outra casa”, comentou.

Os moradores dizem que os valores das indenizações não correspondem à realidade. Os valores que variam de R$ 5 mil a R$ 12 mil, dinheiro que até agora eles não sabem quando vão receber.

Desde o início deste mês, as obras da construção do canal estão paradas porque as famílias do assentamento impedem que os homens continuem a construção, até que seja feito um acordo sobre a indenização dos imóveis que precisam ser demolidos.

O Ministério da Integração Nacional informou que o assentamento ainda não está regularizado. O Incra e a Funai disputam a posse da terra. Enquanto não houver uma decisão da Justiça, não há como o ministério pagar as indenizações.

Os trabalhos continuam em andamento em outros pontos da obra da transposição.