O Vitória entrou em campo pressionado, precisando vencer o Atlético-GO por dois gols de diferença para se classificar à final da Copa do Brasil. Mas assim que pisaram o gramado, os jogadores sentiram o apoio de que tanto necessitavam. Aos gritos de “vamos ganhar nego” e “time de guerreiros”, a torcida do Leão fez uma linda festa e deu um show à parte no Barradão. Com isso, ajudou o Leão a bater o rival por 4 a 0, gols de Uelliton e Júnior (2) e Viáfara. É a primeira vez na história que o time baiano chega à decisão do torneio.

Ao Atlético-GO, resta o lamento por ter chegado duas vezes com muito perigo à área rival, mas em ambas nenhum jogador ter apenas empurrado para o fundo do gol vazio. O time goiano se despede da Copa do Brasil sem ter perdido nenhum jogo em casa e tendo feito sua melhor participação na competição.

O Vitória irá decidir o título da competição, e consequentemente uma vaga na Libertadores, contra o Santos, que eliminou o Grêmio na outra semifinal. Porém, a torcida terá que segurar a empolgação, já que as partidas decisivas só serão disputadas após a Copa do Mundo, nos dias 28 de julho e 4 de agosto.

Para chegar à final, o Leão quebrou um tabu de nunca ter vencido o rival em jogos oficias. Aliás, a equipe baiana sequer havia conseguido balançar as redes do Dragão nas partidas entre ambos.

A classificaçãoepara a decisão e o gol marcado foram presentes de aniversário para o goleiro Viáfara, que completou 32 anos nesta quarta-feira, data da partida. Ídolo da torcida, o jogador ouviu o Barradão em coro gritar “parabéns”, além de ganhar uma faixa em sua homenagem.

Os dois times voltam a campo no fim de semana em jogos do Campeonato Brasileiro. O Atlético-GO recebe o Santos, em Goiânia, no sábado, às 18h30m. No dia seguinte, o Vitória viaja até Fortaleza para enfrentar o Ceará, às 16h.

Bola pelo alto resolve para o Vitória

O clima de decisão era claro e a partida começou quase dez minutos atrasada porque a torcida estava jogando papel higiênico sobre o gol de Márcio, revelado no arquirrival Bahia. Ídolo do Vitória, Ramon precisou pedir que os torcedores parassem para o jogo ter início. A proposta das equipes também era bem definida. O Vitória tomava a iniciativa e ia para o ataque, empurrado pela torcida que não parava de cantar. O Atlético-GO apostava nos contra-ataques.

Apesar de ir para cima, o Leão só criou seu primeiro lance de perigo aos 13 minutos. Na cobrança de falta, Uelliton rolou para Bida, que chutou forte, mas Márcio espalmou. Do lado do Dragão, as chegadas ao gol de Viáfara eram raras. Aos 19, o goleiro colombiano defendeu com tranquilidade a cabeçada prensada de Agenor.

A formação defensiva do Atlético, com quatro volantes, dava pouco espaço ao Vitória, mas caiu por terra em cinco minutos. Aos 29 minutos, Ramon cobrou falta para a área e Uelliton ganhou no alto para abrir o placar. O gol abalou o time goiano e encheu os mandantes de ânimo. Aos 34, Elkeson avançou pela direita e cruzou para Bida, que escorou para o meio da área e Júnior chegou para completar para o fundo do gol. Muita festa na arquibancada: "Oooo Diabo Loiro, faz um gol aí de novo".

Foi o suficiente para Geninho desistir do quatro volantes, colocando o meia Weslley no lugar de Erandir aos 37. Mas foi o Vitória que quase voltou a marcar, aos 43. Ramon cobrou a falta na cabeça de Uelliton, mas Márcio fez uma grande defesa.

Dois times no ataque

O Vitória voltou melhor para a segunda etapa e deu trabalho para o goleiro do Atlético-GO. Logo aos cinco, Egídio arriscou de fora da área, mas Márcio espalmou. No minuto seguinte, Ramon cobrou falta para a área, a bola passou por todo mundo, e o camisa 1 teve que se esforçar mais uma vez para evitar o terceiro.

Mas o time goiano acordou. O Dragão passou a ir para o ataque, primeiro de forma desorganizada, mas depois dando trabalho para a defesa baiana. Aos 18, Pituca cruzou para Marcão, que, de cabeça, tentou encobrir Viáfara, mas acertou no travessão. No minuto seguinte, foi a vez de Juninho completar de cabeça o cruzamento de Thiago Feltri, mas o goleiro do Vitória fez a defesa.

A partida, então, ficou aberta. O Atlético-GO tentava o gol da classificação, e o Vitória tentava o terceiro para definir a classificação. Nas arquibancadas, muita tensão: apreensão a cada ataque goiano e lamentações a cada chance perdida pelos baianos. O Leão tentou aos 27, em chute forte de Elkeson que parou em mais uma boa defesa de Márcio. O Dragão tentou responder aos 33, em uma batida de fora da área de Wesley, mas Viáfara também voltou a aparecer bem.

O Atlético-GO esteve muito perto de acabar com a festa do rival aos 44. Thiago Feltri cruzou, Marcão dominou na pequena área, mas se enrolou e perdeu a chance. Quem não faz, leva. No contra-ataque, Neto Berola driblou o goleiro Mário, fora da área, e cruzou para Júnior empurrar para o gol aberto. Ainda teve espaço para mais um. Júnior foi derrubado por Agenor e o árbitro marcou o pênalti. Na bola, o aniversariante Viáfara. Primeiro, uma cobrança com paradinha, que o árbitro equivocadamente mandou repetir (a nova regra vale apenas a partir de 1º de junho). Na segunda vez, batida no canto direito de Márcio e o gol da classificação aos 49 minutos.