O pré-candidato à Presidência da República José Serra (PSDB) questionou nesta sexta-feira se o corte de 10 bilhões de reais no Orçamento anunciado pelo governo não passa de "espuma".
"Eu não posso comentar se eu não sei o que vão cortar. Temos que ver onde vão cortar para poder analisar. Precisa ver se é corte de verdade ou espuma", disse Serra em entrevista no Rio de Janeiro.
Os ministros da área econômica anunciaram na quinta-feira corte de 10 bilhões de reais do Orçamento deste ano com o objetivo de esfriar a economia brasileira. Em março, o governo já havia anunciado contingenciamento de 21,8 bilhões de reais do Orçamento.
Serra afirmou também suas primeiras iniciativas caso seja eleito serão as reformas política e administrativa.
"A reforma administrativa não precisa de lei. A política, vou começar por ela", disse ele em entrevista à Super Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, sem fornecer detalhes das duas reformas.
Serra disse que chegou a sugerir a realização da reforma política ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas acredita que ela não tenha sido realizada porque uma reforma deste tipo "descontenta algumas pessoas".
Quanto à reforma administrativa, afirmou que o governo brasileiro precisa gastar melhor de forma a obter mais recursos para investimento e menos para o custeio da máquina.
"O governo tem que gastar menos com a máquina e mais com o povo. Vou de cara fazer a reforma administrativa", prometeu.
Serra lembrou que, em 2005, encontrou a prefeitura São Paulo "quebrada" e a deixou "tinindo" em um ano. "Tem que saber gastar bem. Não se pode demorar muito com os contratos em cima da mesa, não pode ficar ensebando", disse o ex-prefeito da capital paulista e ex-governador do Estado.
Quando assumiu a prefeitura de São Paulo, administrada pelo PT, Serra renegociou com fornecedores.
Ele reiterou que poderá ter em seu governo integrantes do PT porque trabalha pelo critério técnico.