Tudo parecia bem encaminhado para a eleição de outubro entre os grupos que buscavam a eleição de Teotônio Vilela ou Ronaldo Lessa para governar Alagoas nos próximos quatro anos,mas o lançamento da candidatura de Fernando Collor de Mello desarrumou todo o quadro e trouxe reflexo até em situações que pareciam estar resolvidas.

Para Ronaldo Lessa a situação ficou bem complicada, o ex-governador já tinha como certo que o PTB de Collor indicaria seu vice e já trabalhava em uma composição conjunta para a Câmara Federal.

Com a mudança o grupo de Lessa tenta empurrar para o PMDB de Renan a indicação de vice como forma de garantir a presença do senador na chapa, o apoio de Dilma e Lula, antes considerado o maior trunfo agora vai ser dividido com Collor e a pressão do ex-presidente para que ele desista de sua candidatura já começa a ser sentida.

O chefe do PR em Alagoas, deputado Mauricio Quintella disse que a campanha de Lessa seria franciscana, mas todos sabem que qualquer candidatura ao governo precisa de um mínimo de estrutura financeira para chegar até o fim e este é o grande problema de Lessa, que também não conta com a simpatia dos prefeitos.

E é por este apoio dos prefeitos que Teotônio Vilela deverá ser também prejudicado com o lançamento de Collor. Vários acordos que já vinham bem encaminhados acabaram sendo pelo menos adiados depois da entrada do ex-presidente no páreo.

Além dos prefeitos o governador enfrenta a pressão do PP de Benedito deLira que pode mudar de lado pela terceira vez neste processo e para não sair das hostes de Vilela exige a inclusão de seu filho, Arthur Lyra na chapa proporcional para a Câmara Federal.

Mesmo o ex-presidente Collor não vai contar com aliados históricos como a família Damasceno Freitas, do Sertão alagoano, que já tinha feito acordo com o governador Teotônio Vilela e mandou avisar que mesmo com a entrada do ex-presidente nada muda no contexto.

O grande alvo dos três candidatos, o prefeito de Maceió Cicero Almeida, surpreendeu em uma entrevista ontem ao colocar que ficará a margem do processo, mesmo depois de ter declarado seu apoio a Lessa.

Este nó político tem que ser definido nos próximos 30 dias, quando começa as convenções partidárias, e muita coisa neste período pode mudar.