Em entrevista ao programa Educativa em Revista do radialista Elias Ferreira, o juiz da 16° Vara Cível, Gustavo Lima, responsável pelo julgamento dos deputados envolvidos na Operação Taturana, reconheceu que este ano apenas a ação cautelar que julga o afastamento dos deputados envolvidos deverá ter prosseguimento.

“Sei que é difícil para a população entender que existe toda uma burocracia neste processo, após ser superada a fase de suspeição existe ainda o prazo para que todos os envolvidos apresentem sua defesa, e não são poucos os envolvidos” explicou o juiz.

Gustavo Lima diz que está tentando dar um andamento rápido dentro do que é permitido pela lei. “Temos que nos preocupar com a celeridade, mas, sobretudo em fazer as coisas de acordo com a lei” explicou ele.

O Magistrado reconheceu que este ano apenas será julgada a ação cautelar proveniente de uma decisão monocrática do ministro Gilmar Mendes que fez com que os deputados voltassem aos cargos.

Atualmente seis ações estão tramitando no Supremo Tribunal Federal, sendo que cinco delas são civis públicas e uma cautelar que pede o afastamento dos envolvidos

“Agora estamos tentando dar uma nova gestão no processo, e naturalmente estamos buscando um apoio técnico necessário para dar mais celeridades este processo” explicou.

Taturana

Eram aproximadamente cinco horas da manhã do dia 06 de dezembro de 2007, fazia pouco tempo que a Polícia Federal estava sob nova coordenação e o que parecia ser uma quinta-feira qualquer era na verdade o início de um novo capítulo na história recente de Alagoas

Já na primeira coletiva, o superintendente José Pinto de Luna e o delegado responsável pela operação Janderlier Gomes, começaram a explicar que as investigações apontam desvio de R$ 302 milhões dos cofres do Legislativo.

No final de março de 2008, em decisão inédita e histórica, Antonio Sapucaia determinou o afastamento do mandato de 10 deputados indiciados pela Operação Taturana. O Procurador Geral de Justiça Coaracy Fonseca e o desembargador Antonio Sapucaia passaram então a receber ameaças de morte

O delegado Janderlier Gomes, em um trabalho desgastante, entregou o inquérito a Justiça, nele está contido, de acordo com a PF,provas irrefutáveis, gravações telefônicas, documentos , todas as comprovações necessárias sobre o esquema.

O inquérito, presidido pelo delegado Jandelyer Gomes, teve como resultado 10 indiciados, entre eles um conselheiro do Tribunal de Contas, 15 deputados, 11 ex-deputados, dois prefeitos, três secretários municipais, cinco candidatos nas últimas eleições, seis bancários, 30 funcionários da ALE e 10 familiares de políticos.

Ao todo são 13 volumes de inquérito policial, 94.325 páginas, 233 laudos produzidos, 399 pessoas ouvidas e 30 carros apreendidos.

Após Quinze meses de afastamento, oito deputados que tiveram seu afastamento decretado, dois já haviam retornado em Janeiro de 2009, retornaram aos cargos no dia 12 de julho deste ano após uma decisão do presidente do STF , Gilmar Mendes.

Os deputados Antonio Albuquerque, João Beltrão, Cícero Ferro, Arthur Lira, Nelito Gomes de Barros, Isnaldo Bulhões Junior, Dudu Albuquerque, Marcos Ferreira, Edival Gaia Filho e Maurício Tavares estão hoje na Assembléia Legislativa e todos são candidatos a reeleição em 2010