“Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”, disse Tolstoi. Numa época em que a globalização derrubou barreiras culturais, a frase do escritor russo faz mais sentido do que nunca. No cinema, a tecnologia digital democratizou a produção, permitindo que diretores de todo o mundo pudessem se comunicar através da Sétima Arte. Com filmes de 14 países, o II Panorama Sesi – Mostra de Cinema Internacional traz para Maceió alguns exemplos desse novo momento do audiovisual.
São longas-metragens inéditos em Alagoas, mas que já circularam o mundo em mostras e festivais estrangeiros. Alemanha, Espanha, Portugal, Coréia, Hong-Kong, Estados Unidos, Casaquistão, Chile, França, Suíça, Dinamarca, Turquia, Romênia e Brasil estão representados na programação do evento, que será realizado entre os dias 14 e 20 de maio.
O II Panorama Sesi não é só um passeio por nações distintas, mas também pela obra de nomes consagrados como Wong Kar-Wai (2046), Werner Herzog (Fitzcarraldo), Carlos Saura (Tango) e Domingos Oliveira (Todas as Mulheres do Mundo).
O VIGOR DAS CINEMATOGRAFIAS NACIONAIS
O trabalho de gênios como Jean-Luc Godard (França), Ingmar Bergman (Suécia), Glauber Rocha (Brasil) e Akira Kurosawa (Japão) chamou a atenção do mundo para as culturas estrangeiras e abriu portas para cineastas das gerações seguintes. A tela virou uma maneira de encurtar distâncias. Hoje, mais do que nunca, o cinema é globalizado.
Enquanto Hollywood vive uma escassez criativa, as principais produções lançadas a cada ano falam cada vez mais idiomas. É só prestar atenção na seleção de festivais como Cannes, Berlim e Veneza para perceber que as cinematografias nacionais nunca foram tão representativas. O II Panorama Sesi – Mostra de Cinema Internacional é uma oportunidade rara para conhecer o vigor dessas produções.