O governo da Coreia do Sul afirmou nesta terça-feira (4) que um ataque inesperado afundou em março um de seus navios de guerra perto da fronteira com a Coreia do Norte.

A afirmação sul-coreana aumenta a tensão com o vizinho do norte do norte, em meio à enigmática visita do líder do país comunista, Kim Jong-il, à China.

Em reunião sem precedentes da cúpula do Exército sul-coreano liderada pelo presidente, Lee Myung-bak, o titular da Defesa, Kim Tae-young, afirmou que o afundamento da embarcação Cheonan no dia 26 de março representou um "dia de vergonha".

Para Kim, o incidente causado por um "ataque inesperado" evidenciou falhas na segurança nacional sul-coreana. O ministro evitou, no entanto, culpar diretamente a Coreia do Norte, esperando o encerramento das investigações.

Como resposta às críticas aos militares pelos erros do sistema de defesa após o incidente, o presidente sul-coreano prometeu a reforma da segurança nacional, com a criação de um novo organismo dedicado a isso.

Lee também assegurou que a embarcação "não afundou por um simples acidente", e disse que seu país precisa tomar "medidas claras e firmes" assim que for esclarecida a causa do naufrágio.O navio, de 1.200 toneladas, afundou após ser partido em dois por uma explosão cujas causas não foram identificadas, provocando a morte de 46 de seus 104 tripulantes. As primeiras investigações mostraram a que a explosão teve origem externa e pode ter sido causada por um torpedo, o que reforçaria a tese de uma possível participação norte-coreana.

A reunião extraordinária da cúpula militar sul-coreana coincidiu com a viagem à China de Kim Jong-il, que, segundo a imprensa sul-coreana, chegou nesta segunda-feira (3) à cidade portuária de Dalian de trem e partiria nesta terça-feira rumo a Pequim para se reunir com o presidente da China, Hu Jintao.