A saída do Partido Progressista (PP) da base de oposição e o anúncio da candidatura do Senador Fernando Collor de Mello (PTB) ao Governo de Alagoas poderiam ser fatores que ajudariam a desestabilizar a candidatura de Ronaldo Lessa (PDT). Mas, segundo os aliados do famoso ‘Chapão’, as mudanças ocorridas em menos de 24 horas em nada alteram os rumos que vinham sendo traçados desde o ano passado.
Benedito de Lira (PP) já vinha demonstrando sinais de que sua permanência no grupo estava com os dias contados. Em vários eventos, o deputado federal era figura garantida ao lado de Teotônio Vilela Filho (PSDB), e chegou a ser envolvido em polêmicos como a negociação de cargos para caminhar ao lado dos tucanos. As especulações chegaram ao fim, com o anúncio oficial nesta quinta-feira de que PP e PSDB estariam lado a lado nas eleições deste ano.
Já Fernando Collor negava os boatos de que disputaria algum cargo nessas eleições. O pedido do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), era para que Lessa encabeçasse a chapa de apoio a Dilma Roussef, pré-candidata do governo. O ex-governador, no entanto, tinha outros planos pessoais: disputar uma vaga no Senado Federal, mas garantiu que abdicaria desse projeto para atender o chamado do petista.
Mas ao que tudo indica, no pleito de outubro, os eleitores alagoanos terão três nomes fortes como candidatos: Teotonio Vilela, Ronaldo Lessa e Fernando Collor. Vilela prefere manter o discurso de que não fala sobre disputa política; Lessa garante que ‘sua candidatura é irreversível’; enquanto o senador ainda não veio a público para dar sua posição final.
Mesmo com todas essas alterações, o presidente estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), Joaquim Brito, garante que a posição do partido não muda e a legenda vai continuar apoiando Lessa ao governo. “Vamos continuar ao lado de Ronaldo, conforme a decisão do 4º Congresso do Partido, ocorrido há 15 dias. O PT não vai mudar e continua do mesmo lado”, garantiu Brito.
O petista preferiu não tecer comentários sobre a candidatura de Collor, lembrando que é preciso um pronunciamento oficial do senador para que a informação seja confirmada. “Até agora o que sabemos foi através de porta-vozes. Não sabemos se são oficiais ou apenas levando a voz do senador dentro dos seus interesses. Se estão fazendo tudo isso para desestabilizar a base da oposição, a gente garante que não vão conseguir”.
Brito explicou que o partido já conversou com Lessa para reafirmar o apoio a sua candidatura e que Renan Calheiros também manteve a palavra e o comprometimento do PMDB com o ex-governador. “O Renan disse ainda que surgiu a possibilidade de que o vice de Collor seria o deputado federal Joaquim Beltrão, o que foi descartado pelo senador. Renan garantiu que o PMDB não vai apoiar Collor ao Governo de Alagoas”.
Um questionamento de Joaquim Brito é sobre a coincidência do anúncio da candidatura de Collor vir no mesmo dia da oficialização da aliança entre PP e PSDB. “Deixo aqui uma interrogação: será que é apenas coincidência que no dia que Lira anuncia a aliança, surge essa suposta candidatura de Collor”, indaga.
Os primeiros encontros, em Brasília, para definir o nome que disputaria a vaga no Palácio República dos Palmares, segundo Joaquim Brito, tiveram a participação ativa de Fernando Collor e Benedito de Lira. Ele lembra que, na época, Collor garantiu que não disputaria nenhum cargo nas eleições e que atenderia um pedido de Lula. “O presidente pediu que aqueles que já ocupam vagas no Senado até 2014 não saíssem candidatos. Já o Benedito de Lira confirmou sua presença na Frente, anunciando apoio a Lessa e sua candidatura como senador”.
Traição
Joaquim Brito classificou como traição a saída de Benedito de Lira da chapa de apóio à candidatura de Ronaldo Lessa. Segundo o presidente estadual do PT, De Lira esteve presente em todas as reuniões e nunca deixou transparecer que deixaria de caminhar ao lado do grupo. “Isso é traição. Ele não traiu não apenas o grupo, mas o eleitorado e o governo Lula”.
Benedito de Lira declarou que havia deixado o chapão, mas que vai continuar subindo no mesmo palanque que a candidata de Lula à presidência da República, ex-Ministra Dilma Russef. O deputado federal ainda afirmou que Vilela conhece seu posicionamento e garantiu que 21 municípios estarão apoiando o tucano. “Ele agora está na base da oposição, no lado contrário a Lula e apoiando Serra. Duvido que os prefeitos saibam disso. Quem apóia o PSDB automaticamente está rompendo com Lula. É preciso que os prefeitos do PP tenham essa convicção”, alertou.
A desistência de Cícero Almeida seria um dos motivos alegados por Lira para deixar definitivamente a coligação Frente Popular. O deputado afirmou durante a coletiva de ontem que a condição de estar no ‘Chapão’ era a candidatura de Almeida ao governo.
Brito se mostrou irritado com a declaração e chegou a dizer que Lira está ‘acometido de uma diarréia mental’. O petista lembrou que seria impossível manter dois políticos do mesmo partido como candidatos ao governo e senado. “Almeida não tinha segurança de renunciar a prefeitura e sofrer 'uma puxada de tapete'. Lira nunca cogitou não sair como candidato. Por isso seria impossível termos os dois disputando o Senado e o Governo’, finalizou.
