Com toda a publicidade em torno das ações para restabelecer a ordem pública, a prefeitura do Rio ainda não conseguiu atingir alguns pontos que continuam manchando a imagem do seu projeto. Para constatar o cenário de degradação, que ainda impera como símbolo de descaso dos órgãos públicos, basta percorrer algumas ruas do Centro e da Zona Norte, regiões por onde passaram os agentes municipais.
Um dos exemplos da desordem está na Rua Marcílio Dias, na Central do Brasil, a cerca de 200 metros da Secretaria de Segurança Pública e em frente a uma delegacia.
À luz do dia, adultos e crianças ocupam a calçada, atrás de veículos estacionados irregularmente, para cheirar cola e fumar crack - consomem drogas sem ser importunados.
À noite, tudo isso se mistura ao clima de prostituição e mendigos, aumentando o mau cheiro no local, além dos riscos de assaltos para quem se arrisca a cruzar aquele trecho durante a madrugada.
Outro ponto que órgãos de fiscalização da prefeitura parecem não ter descoberto é a extensão da Radial Oeste, na Zona Norte. Boxes comerciais e moradias irregulares, à beira da linha férrea, figuram como um shopping do lixo, invadindo a pista, movimentada pelos carros que passam em alta velocidade, pondo em risco crianças que brincam na estreita calçada.
“O problema ali é antigo, mas, infelizmente, persiste a falta de disposição do poder público em impedir o crescimento da desordem e oferecer alguma dignidade àquelas pessoas”, lamenta o professor universitário, Paulo Victer Sousa, 45 anos, que passa de carro diariamente pelo local.
Favelização de oficinas de carros
Em detalhes, o que se vê naquele trecho é o seguinte: uma desordem que afeta uma das principais vias da região que liga os bairros Maracanã, Vila Isabel e Tijuca: a Rua São Francisco Xavier. Da Radial Oeste até a Rua 24 de Maio, a favelização que se estende por um trecho de aproximadamente 400 metros se multiplicou.
Ao longo da ferrovia foram construídas dezenas de barracos de alvenaria, alguns com até três andares, além de pequenas oficinas e outros comércios ilegais.
Os estabelecimentos comerciais e residências possuem todo tipo de ligação clandestina, como luz, água e TV a cabo. “É uma ocupação que foi crescendo, como cresceu a falta de segurança nessa área”, constata o aposentado Francisco Vieira, 62 anos, que mora nas proximidades da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
No dia 10 de março, equipes das Seop, com o apoio de policiais da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis e da Delegacia de Proteção Meio Ambiente e da Guarda Municipal, estiveram no local com o objetivo de multar e cassar alvarás das oficinas de automóveis às margens da Favela do Metrô. Mas a maioria continua funcionando.
Resposta da Secretaria de Ordem Pública
Em resposta ao G1, a assessoria da Seop enviou a seguinte nota:
“Desde janeiro de 2009, a Secretaria Especial da Ordem Pública realiza operações Choque de Ordem em diversos bairros da cidade. Ações já foram feitas inclusive nos locais citados como no entorno da Central do Brasil, não somente para reprimir a presença de moradores de rua ou o comércio ambulante irregular. Os mijões também foram alvos da fiscalização na região. Estas ações de ordenamento urbano serão intensificadas nos locais citados”, afirma.
A Secretaria informa ainda que questões de conservação urbana, citadas na matéria, são atribuições de outros órgãos da prefeitura e não da Seop.