Um menino de 12 anos foi atingido por um tiro na cabeça na noite desta sexta-feira em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. O garoto passeava de carro com o pai, Orias Ferreira da Silva, 51 anos, quando foi atingido pelo disparo na Rua Guia Lopes, próximo ao centro administrativo da prefeitura, onde trabalham guardas municipais armados.

O disparo teria sido efetuado por um guarda municipal durante um incidente de trânsito. O pai do garoto também foi atingido de raspão em um dos braços. Um policial militar que passava pelo local, à paisana, disse que testemunhas confirmaram que os tiros foram disparados por um guarda.

Pouco depois de o garoto ter dado entrada no Hospital Municipal, o guarda Celso Garcia Barbosa, que atua no local, procurou a Delegacia da Polícia Civil para registrar os disparos e entregar a arma.

O pai do menino diz que sequer viu de onde partiu o tiro.

- Eu não vi nada. Pensei: "Não vou sair para ver o que aconteceu". Não vi quem atirou nem se tinha uma barreira da Guarda Municipal. Fiz a volta na rótula da prefeitura e fui procurar socorro para o meu filho. Felizmente, a bala não pegou no cérebro. Ficou no couro cabeludo - diz o pai, que levou cerca de 20 minutos para chegar ao hospital, por causa do trânsito intenso.

- Ia buzinando pelas ruas. Em alguns lugares, peguei sinaleira fechada. Onde dava eu passava. Era a hora de mais movimento. Achavam que eu estava louco. Foi difícil. Demorou muito para chegar ao hospital.

Em relato ao seu superior, o secretário municipal de Segurança e Mobilidade Urbana de Novo Hamburgo, Luiz Fernando Farias, o guarda disse que atirou quando um outro automóvel que passava pelo local avançou em alta velocidade contra ele, sem respeitar o alerta para frear.

O local onde o guarda fez os disparos tem fluxo intenso de veículo. Ele é uma confluência de três importantes vias: Guia Lopes, Sapiranga e Coronel Travassos

- O que este guarda me relatou é que atirou contra os pneus na tentativa de parar o veículo. Só soubemos depois que havia um adolescente baleado em outro carro. Só a partir da análise da arma e do projetil saberemos se partiu do mesmo revólver - afirma Farias.

Levado ao Hospital Municipal pelo próprio pai, o garoto foi submetido a uma cirurgia para retirada do projetil. Após a operação, ele foi levado para a sala de recuperação.

A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar as circunstâncias do disparo. Foram ouvidos o guarda, o pai do menino e uma testemunha, que pediu para ter seu nome mantido em sigilo.

A partir de segunda-feira, o Instituto-geral de Perícias (IGP) deverá iniciar a coleta de provas no local do incidente. O exame de balística deve esclarecer a trajetória da bala e a origem do tiro.

O Gol em que o garoto estava com o pai está num depósito à espera da perícia.