O atacante Calmon, ex-CRB, que deixou o clube recentemente, após a chegada do técnico Celso Teixeira, concedeu entrevista, por e-mail, ao portal Futebolalagoano.com, e “espanou” para todos os lados. Ele encontra-se, atualmente, em Uberaba-MG, onde reside, e disse que não desabafou antes porque temia não receber o que o clube lhe devia. Mas, com a língua afiada, o jogador falou que saiu do Galo da Pajuçara com mágoas do ex-dirigente Miguel Morais, disse que existem no clube “azulinos infiltrados” e que foi traído, tanto por Miguel Morais quanto por Márcio Lessa (ex-dirigente). Também declarou que cumpriu a palavra quando afirmou que não trabalharia novamente com o técnico Celso Teixeira.

O atacante, que anuncia que vai pendurar as chuteiras e que pretende seguir com a construção do Centro de Treinamento em Uberaba, ao lado do irmão e sócio Marco Túlio, salvou apenas a pele do presidente-executivo do CRB, José Serafim, e do vice-presidente Jurídico do clube, Carlos Roberto. Como uma “metralhadora giratória”, Calmon disparou críticas para todos os lados, que respingaram, também, em Marlon Araújo (ex-dirigente do CSA), no atacante Júnior Amorim e até na imprensa. Confira.

Futebolalagoano.com - Qual a verdadeira razão para você optar em deixar o CRB?

Calmon - A verdadeira razão foi a falsidade de Miguel Morais (então vice de futebol) que mostrou ser duas caras. Ele disse para mim e mais dois atletas que o Celso Teixeira nunca seria treinador do CRB, pois era louco, fraco e que o CRB não era hospício. Ele manipulou tudo para que todos fossem contra o Amauri (Knevitz, ex-treinador) e eu sempre disse que com o Celso Teixeira não trabalharia. Mesmo assim, Morais fez questão de contratá-lo, para que eu saísse do clube. Sou homem de uma palavra e não de duas como ele, que atira para todos os lados, deixando o incêndio para o Dr. Carlos Roberto (vice jurídico) e o Serafim (presidente) apagarem.

Você se sentiu traído pela diretoria do CRB?

Fui traído, mas traição é rotina no CRB. No ano passado, foi o Márcio Lessa e este ano somente um membro: Miguel Morais, pois o ajudei em todos os sentidos no CRB. Mas ele é uma pessoa que muito fala e pouco faz. E o Márcio Lessa, no ano passado, porque era amigo de copo de Arnaldo Lira (então treinador do Galo) e misturou as coisas, mas, no fim das contas, todas as máscaras caíram.

Que tipo de função você exercia nos bastidores do CRB?

Exercia minha função de jogador. Um jogador que era respeitado por todos ali dentro, onde sempre procurei ajudar da melhor maneira possível, mas sempre dentro dos limites de um atleta. Se eu era um líder cabe aos jogadores e funcionários responderem. Se eu fiz falta cabe a eles também responderem.

A chegada do técnico Celso Teixeira foi o principal motivo para você resolver deixar o clube?

Sim, porque ele veio muito bem assessorado por Miguel Morais, Marlon Araujo e Márcio Lessa. Por isso, eu saí. Tive problemas com ele no passado e disse que com ele não trabalharia novamente. Apenas cumpri minha palavra. Errei duas vezes em trabalhar com ele e não poderia errar a terceira. Se ele fosse um ser humano equilibrado e sincero estaria em grandes clubes do Brasil, mas no CRB e em qualquer clube ele não passa de um mês de trabalho, tendo jogos aos domingos e quartas-feiras.

Afinal, como é sua relação com Celso Teixeira?

Não tenho nenhum tipo de relação com ele. É ele no canto dele e eu no meu. Respeito ele, mas não teria condições de trabalhar com ele, depois das experiências vividas em outros clubes. Não o desejo mal e quero que ele tenha sucesso. Sou uma pessoa que não preciso maltratar e pisar nas outras para conseguir alguma coisa na vida.

É verdade que você chegou a ameaçar a saída de outros jogadores do grupo, caso não permanecesse no CRB?

Jamais! Eu indiquei atletas profissionais de ótimo caráter (Rodrigo Batata e Alexandre Luz). Não sou empresário deles, sou amigo, ou melhor, irmão, coisa que é difícil fazer no futebol de hoje. Eles não têm nada a ver com meu desentendimento com o Celso e muito menos com a minha empresa. Eu, sim, quis sair, foi decisão minha. Ficaram tristes porque somos grandes amigos, mas a vida deles continua, assim como a minha também. Mas sendo eles meus amigos, com toda certeza, o Celso Teixeira não iria querer que eles continuassem no CRB.

Como você analisa o Departamento de Futebol do CRB, mais precisamente na pessoa do ex-dirigente Miguel Morais?

Analiso como amador. O CRB só vai melhorar quando todos os departamentos forem profissionais.

Como surgiu o nome do técnico Amauri Knevitz para assumir o comando técnico do CRB? Você acredita que o treinador foi traído?

Eu o indiquei em novembro de 2009, quando o clube ainda não tinha treinador, mas não houve acordo porque o clube não viabilizava recursos financeiros. Quando ele realmente veio, foi porque a diretoria resolveu mudar o professor Paulo Roberto Ghilardi, depois de quatro derrotas em cinco jogos. Aí, sim, me perguntaram sobre o Amauri novamente e lhes disse que era um grande treinador, que acabara de sair do Noroeste e estava disponível no mercado. Quero deixar claro que o Sr. Miguel Morais não queria ninguém do Estado de Alagoas ou que já tivesse passado pelo CRB. Criticaram muito o Amauri, que ele não teve sucesso porque não conhecia o futebol alagoano. Chego à conclusão de que se contratarem um treinador de fora de Alagoas o mesmo terá que fazer primeiro um curso para treinar algum time daqui. Não conseguiram entender a filosofia de trabalho do Amauri, devido ao trabalho exaustivo, tentando acertar a equipe em menor tempo possível.

Em um grupo todos têm culpa, existe comissão técnica e acredito que quem já estava deveria ter passado ao Amauri a realidade de cada jogador individualmente. Sempre tinha uma desculpa por tudo, que estava treinando muito, que não estava acostumado com isso ou aquilo, que era muito educado, mas no final de tudo isso quem riu e continua rindo são os azulinos infiltrados nos bastidores do CRB e na Pajuçara, que tiraram Amauri e trouxeram Celso Teixeira, pensando que tudo estaria resolvido. Mas Deus vê as safadezas e injustiças, coisas que nós e muitos regatianos não conseguimos ouvir ou enxergar, mas estão todos os dias e toda hora dentro do CRB.

É verdade que um ex-jogador do clube continua agindo nos bastidores, tentando “queimar o filme” de outros atletas? Se for verdade, quem é esse jogador?

Sim e muito. Ele queria voltar de toda maneira para o clube. Primeiro quis voltar como jogador, depois para fazer tratamento de uma lesão, a terceira vez para apenas ficar treinando e a quarta e ultima vez para ser treinador. Esses foram pedidos feitos por Júnior Amorim para membros da diretoria. Os mesmos que não foram aceitos pela diretoria e nem por atletas que já tinham trabalhado com ele e dito que ele só pensava nele e era péssimo de grupo e era muito marqueteiro. E, em minha opinião, era mesmo. Tenho vários colegas que trabalharam com ele e dizem a mesma coisa ao seu respeito. O nosso grupo era sem vaidades pessoais e com disciplina e profissionalismo de todos. Se não vencemos foi por erros de todos e por falta de capacidade e qualidade de nós atletas.

Aconteceu algum tipo de interferência de fora para dentro do clube, com o intuito de denegrir sua imagem? Se houve isso, quais foram às pessoas envolvidas?

Tentaram mas não conseguiram. Nunca dei espaço para essas pessoas, procuro andar sempre correto com tudo e todos. Tomei cuidado com muitos traíras que vão sempre à Pajuçara e fiz de tudo para que eles não denegrissem a minha imagem.

Como você avalia a pessoa do atacante Júnior Amorim?

Não tenho como definir isso. Afinal, não o conheço, mas pelo que eu escuto falarem, somos totalmente diferentes, como pessoa e atleta. Já ele como atleta foi um grande jogador e teve uma bela carreira.

Como foi a convivência com a diretoria do CRB neste período?

Foi de total profissionalismo e respeito. Fiz o meu trabalho da melhor maneira possível. Agradeço exclusivamente ao presidente José Serafim e ao Dr. Carlos, um grande presidente e um grande homem, respectivamente. Muitos criticam o Serafim e nem sequer o ajudam, pois querem que ele afunde e entregue o cargo, mas creio que da maneira honesta que o Serafim trabalha surgirá alguém de bem para ajudar a colocar o CRB no lugar que merece estar. Escuto só críticas de muitos que não querem ver o sucesso do CRB, em contraste com vários torcedores que amam o clube, como por exemplo, o João Tigre e torcedores da Galo Chopp, João Gordo e torcedores da Comando Vermelho e da ONG. Esses, sim, ajudam de verdade o clube. Em dois anos de mandato, o Serafim não conseguiu ser campeão, mas conseguiu organizar, pagar dívidas e, principalmente, não roubar. Isso já e o início de uma grande conquista para os regatianos e uma grande derrota para os traíras da oposição.

Existe alguma pendência financeira do CRB com você?

Nenhuma. Desde que cheguei ao CRB o que combinaram comigo foi tudo cumprido corretamente.

Por que o CRB ficou fora das finais do Alagoano?

Porque todos erraram, atletas, comissão técnica e diretoria. Mas quando iniciou o planejamento, não havia dinheiro para contratações, deu-se prioridade para a base, contratando poucos atletas experientes e muitos desses atletas não corresponderam ao esperado, começando por mim que não rendi o esperado por todos. Quando a equipe surpreendeu, chegando à frente no primeiro turno, todos acharam que já era certo o título do Campeonato Alagoano. Depois que as equipes se reforçaram e se arrumaram, nós ficamos acomodados e caímos de produção em todos os sentidos: técnica, física e psicologicamente. E o resultado disso foi que não tivemos força para ganhar os jogos, principalmente os dois últimos dentro de casa.

Alguém da imprensa lhe procurou para ouvir o seu lado, após a sua saída?

Somente Kleber Marques (Difusora) e Ana Maria Santiago pela Internet e, pessoalmente, somente os membros do Futebol Alagoano. Os demais do dia a dia foram todos covardes e amadores. Alguns viviam me entrevistando sempre com perguntas maldosas, desde que cheguei.

Você sai com algum tipo de mágoa da imprensa de Alagoas?

Sim. Muitos são da oposição e tem deles até que se faz de bonzinho, mas vem com perguntas maldosas. Na minha concepção, independentemente da área de trabalho, as pessoas devem ser profissionais, sem misturar as amizades de bar, já que elas têm o poder de falar e formar opiniões que muitas vezes não são reais e influenciam ouvintes e que normalmente não estão no dia a dia do clube e acreditam nesses formadores de opiniões. Críticas fazem parte da profissão que escolhi, mas em Alagoas há muito jogo de interesses e muito arrumadinho. Por isso há muita manipulação de alguns membros da área esportiva, um dos fatores que fazem com que o futebol de Alagoas não cresça.

Qual o recado que você deixa para a torcida do CRB?

Peço desculpas, fiz o que podia. Se não joguei bem e não fiz gols, pelo menos tentei fazer o máximo que podia dentro e fora de campo. Vim pra ser campeão e não consegui, mas o respeito, consideração e profissionalismo nunca faltaram de minha parte perante aos torcedores. Aqui fui muito bem tratado e respeitado por todos. Quero deixar um grande beijo e um abraço para todas as crianças que sempre me deram muito carinho e meu muito obrigado por tudo. O futebol pra mim chega ao fim, porém, continuo sendo o mesmo homem com defeitos e virtudes, procurando sempre fazer o melhor para todos que convivem comigo. Quanto aos torcedores regatianos, tenho só a agradecer por todo carinho recebido, desde que cheguei ao CRB.

Quais foram suas maiores decepções no CRB?

Tive poucas. Em 2009, com Márcio Lessa, que trouxe Arnaldo Lira para destruir tudo. E em 2010, com o Miguel Morais, que seguiu o mesmo caminho. Mas a maior dor no coração foi quando um amigo me disse, por telefone, que tinha escutado na radio e também por Miguel Morais, que eu não fazia falta nenhuma ao CRB. Chorei quando ele me disse isso, foi uma tremenda ingratidão e falta de respeito da parte deles. Eu sabia que não estava jogando e não estava no meu melhor momento, mesmo porque estava entrando em alguns jogos nos últimos minutos, mas sabia também que poderia ser muito útil com minha experiência, competência e estrela num momento de decisão.

Creio que tudo se confirmou para os entendidos de futebol contra o CSE, quando o Wellington, artilheiro do Alagoano, não pode jogar e, durante a partida, na arquibancada, eu via o desespero dos torcedores querendo que a santa bola entrasse, mas como disseram alguns entendidos de futebol, que o Calmon não faria falta nenhuma, talvez naquele momento lembrassem um atleta velho, acabado, em fim de carreira. Mas um artilheiro e vencedor por onde passou, poderia, mais uma vez, decidir em favor do CRB, onde, em jogos oficiais como mandante, fez gols em todos os jogos na Pajuçara ou Rei Pelé, quando titular nas temporadas 2009 e 2010.

Você foi chamado para assumir algum cargo na diretoria no CRB?

Fui chamado pelo presidente Serafim para assumir a gerência de futebol do clube, porque ele notava o meu conhecimento e comprometimento em ajudar o clube. Disse a ele que gostaria muito de ajudá-lo pela forte ligação que tive com o clube, mas que o momento ideal não seria agora por causa da recente saída minha como atleta do clube.

O CSA te convidou em 2009 para a disputa da Série D. Se houvesse outro convite você aceitaria para 2010?

Convidaram-me quando saí do CRB, depois da briga com o Arnaldo Lira, mas era tudo armação para me arrebentarem. Celso Teixeira estava por trás porque ele seria o treinador. Avisaram-me, mas eu já tinha dito que jamais jogaria no CSA por dinheiro algum e não mudo nenhuma vírgula. O CSA é um grande clube com uma enorme torcida. Mas não sou como certos atletas que fazem juras de amor e depois viram a casaca. Sou homem que honro com minhas palavras. Foi a maneira que tive de respeito e gratidão por tudo aquilo que o torcedor do CRB fez por mim enquanto vesti a camisa do clube.

Quais são seus planos profissionais para o futuro?

Agora vou dar seguimento à construção do Centro de Treinamento, com meu irmão e sócio Marco Túlio, em Uberaba- MG. É um sonho que está prestes a ser realizado, já que possui 50% das obras feitas. Agora vamos trabalhar forte para inaugurar em maio de 2011, se Deus permitir. Esperamos fazer um grande trabalho de revelação de atletas entre 10 a 18 anos para grandes clubes. Quem quiser, pode ver e acessar nosso site: www.calmonsports.com.br, para conhecer nosso trabalho.

Quais foram os clubes que você jogou em sua longa carreira?

União Bandeirantes-PR, PSTC-PR, Coritiba-PR, Paraná Clube, União São João-SP, Londrina-PR, Tupã-SP, Nacional-PR, Telêmaco Borba-PR, Operário-PR, Malutrom-PR, Xan Xi Goli-China, Avaí-SC, Fortaleza-CE, Vila Nova-MG, Vila Nova-GO, Caxias-RS, Lobos Buap-México, Caldense-MG, Iraty-PR, Galo Maringá-PR, Joinville-SC, Adap-PR, Coruripe-AL, Treze-PB, ASA-AL e CRB-AL.

Qual a frase ideal para o CRB neste momento?

As atitudes certas no CRB são erradas e as atitudes erradas dos oportunistas e falastrões são certas.

É verdade que você foi à Pajuçara assistir aos treinos de Celso Teixeira?

Sim. Fui a dois treinos coletivos, acompanhado de um empresário paulista que veio por intermédio meu e de Alexandre Luz, para comprar os direitos do Wellington e ver de perto outros jogadores da base que se destacaram no campeonato. Uma maneira de trazer recursos ao clube e valorizar ainda mais a atitude do clube em formar e revelar novos jogadores. Porém, como estão acostumados com maldades, disseram que fui tumultuar o ambiente do clube, por eu ter encontrado e conversado com meus ex-companheiros de trabalho. Mas com o tempo, a verdade aparecerá e vocês irão ver quem estava com a razão.

Ocorrem boatos nos bastidores que você e Alexandre Luz fizeram as negociações de Wellington. É verdade?

É verdade, sim. Não vejo nenhum mal neste tipo de negociação. Fizemos o que muitos não deram conta de fazer. As pessoas conhecem nosso caráter no Brasil, porque onde passamos fomos primeiro homens e depois atletas. Por isso, temos a confiança de muitas pessoas. O CRB vive um momento delicado financeiramente e com esta venda do atleta, o clube poderá respirar um pouco. Houve muitos boatos e mentiras, mas o que apareceu de concreto e verdadeiro foi este grande amigo nosso Fernando Garcia, dono da Kalunga.