O combate à corrupção eleitoral em Alagoas vem mobilizando diversos setores da sociedade. Um deles é o Movimento Contra a Corrupção Eleitoral (MCCE), que, a exemplo do que aconteceu em outros estados, ajudou no recolhimento de mais de 1 milhão e meio de assinaturas, para o Projeto que condiciona a candidatura a “Ficha Limpa” do político. Para somar forças e coibir a prática da compra e venda de votos nas eleições deste ano, a Igreja Católica também foi convocada para conscientizar os eleitores.

O presidente do Tribunal Superior eleitoral (TRE), desembargador Estácio Luiz Gama de Lima, realizou uma reunião na última sexta-feira (16) com o arcebispo da de Maceió, Dom Antônio Muniz. Isso porque a Arquidiocese possui uma Comissão de Educação Política que ajuda na publicação e distribuição de cartilhas, folderes, e palestras, retomando o trabalho realizado no processo eleitoral de 2008.

A igreja atuará junto ao TRE, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Associação dos Magistrados, entre outras entidades, diretamente nas comunidades, com o objetivo de ampliar as atividades relacionadas à conscientização dos eleitores e da população em geral. Alagoas passará por um momento decisivo nas eleições de outubro, já que muitos políticos acusados de corrupção pretendem se reeleger, principalmente com a ajuda de votos do interior do Estado.

De acordo com Dom Antônio Muniz, o trabalho de conscientização da população acerca da política já vem sendo feito há muito tempo, através de material informativo e palestras. O arcebispo lembrou a importância de iniciativas populares apoiadas em todo o Brasil, como o projeto Ficha limpa, segundo ele amplamente discutido pela Conferência Nacional dos bispos do Brasil (CNB).

“Esse projeto é resultado de uma parceria nacional entre várias instituições. O empenho dos envolvidos resultou em quase dois milhões de assinaturas. que acabaram levando o projeto até o parlamento. Isso está previsto na Constituição Federal. No site da CNBB há muitas notícias condenando a corrupção eleitoral”, destacou Muniz.

O arcebispo afirmou, ainda, que o Projeto Ficha limpa não agrada a todos, mas pode garantir lisura ao processo eleitoral e aperfeiçoar o regime democrático do estado de direito. “Tenho certeza de que a aprovação do projeto não será algo bom para aqueles políticos que têm pendências na justiça, mas o povo vai ser o maior beneficiado. Porém, não se trata de um projeto da igreja, é fruto do esforço conjunto da sociedade”, ressaltou.