A Organização Europeia pela Segurança do Tráfego Aéreo (Eurocontrol) anunciou na manhã desta terça-feira (20) que cerca de 50% dos voos programados para o espaço aéreo do continente devem ocorrer no dia de hoje.

A região ainda sofre as consequências das nuvens de cinza provenientes do vulcão islandês Eyjafjallajokull, que desde a última quinta-feira (15) causa cancelamentos e atrasos nos voos da Europa.

Às 9h desta terça-feira (horário de Brasília), 11.460 voos tinham decolado, pousado ou estavam em rota na Europa, o que representa mais de um terço do total programado. Os atrasos nas operações somam cerca de 190 mil minutos, uma média de 9,5 minutos por voo.

Embora esteja longe do ideal, a situação do tráfego aéreo hoje representa uma evolução em relação aos últimos dias, quando a maioria dos grandes aeroportos da região estava completamente fechada.

Nesta terça-feira, os aeroportos de Paris, Madri, Frankfurt, Berlim e Amsterdã, alguns dos mais movimentados do continente, operam total ou parcialmente. Por outro lado, os terminais do aeroporto de Heathrow, no Reino Unido, o mais movimentado do mundo em voos internacionais, permanecem totalmente fechados.

Nova nuvem preocupa autoridades e empresas

Uma nova nuvem de cinzas expelida pelo vulcão islandês passará pelo norte da Europa nas próximas 24 horas, informou nesta terça-feira o Centro de Observação de Cinzas Vulcânicas (Vaac) de Toulouse, na França.

Didier Rosenblatt, meteorologista do Vaac, disse que o fenômeno deverá afetar vários países do norte do continente.

- Com as condições meteorológicas, as cinzas vulcânicas devem passar pelo sul do Mar do Norte, as ilhas britânicas, Dinamarca e Escandinávia e, eventualmente, pelo extremo norte da França nas próximas 24 horas.

Com isso, a maior parte do espaço aéreo do Reino Unido, que deveria começar a abrir gradualmente, permanece fechado. Apenas alguns aeroportos da Escócia e do norte da Inglaterra, como o de Newcastle, recebem pousos e decolagens.

A Noruega também fechou, na manhã desta terça-feira, parte do espaço aéreo no sudoeste do país.

Empresas cancelam voos

A companhia aérea britânica British Airways, uma das mais afetadas pela interrupção nas operações áreas, cancelou todos os seus voos de curta e média distância nesta terça-feira.

Já a companhia aérea alemã Lufthansa, a maior da Europa, anunciou que vai operar cerca de 200 voos, o que representa menos de 15% do tráfego habitual.

Já os aeroportos parisienses de Orly e Charles de Gaulle, os dois mais importantes da França, garantiram nesta terça-feira apenas 30% dos voos nacionais e internacionais, anunciou o ministro dos Transportes, Dominique Bussereau.

Na Espanha, apesar das operações liberadas, também há cancelamentos e atrasos, especialmente em voos que tem como destino países cujos espaços aéreos foram severamente afetados pela nuvem de cinzas.

Teste não revelou danos a turbinas

A construtora aeronáutica europeia Airbus afirmou nesta terça-feira que dois voos de teste realizados na tarde desta segunda-feira (19) por um avião gigante A380 e um A340 para avaliar o perigo das cinzas não detectaram "nada anormal".

"As tripulações dos voos de teste não perceberam nada anormal e as inspeções posteriores aos voos não revelaram nenhuma irregularidade", afirma um comunicado da Airbus.

"O A380 fez um voo de 3h50 no espaço aéreo francês e o A340-600 um voo 5h sobre a França e a Alemanha", destaca a Airbus.

"Transmitimos a informação aos fabricantes dos motores e às autoridades responsáveis por verificar a qualidade do ar para ajudar na avaliação das condições de voo", completa a Airbus no texto.