Duas semanas após o temporal que provocou mortes e pesados danos na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, 57 famílias da Cidade de Deus, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, ainda sofrem com a interdição de suas casas e alegam não ter para onde ir. A maioria diz que, por falta de orientação da prefeitura, permanece em moradias que oferecem riscos.
Eles aguardam uma posição da Secretaria municipal de Habitação que afirmou, através de nota, que ainda não analisou o caso dessas pessoas porque está dando prioridade aos locais onde houve desabamento. Entretanto, na Rua Ana Cristina César, na localidade conhecida como Pantanal, é possível ver os deslizamentos provocados pela chuva.
Ainda de acordo com a secretaria, não há um prazo pra solucionar o problema nesta região porque a demanda é muito grande. Os moradores dizem que precisam de orientação do poder público.
Falta de poder público
O morador José Carlos, que consegui se salvar no dia do temporal, junto com a família, perdeu a casa e os móveis. Ele está morando provisoriamente na casa da mãe.
“Pretendo correr atrás do prejuízo porque moro na casa da minha mãe com quatro crianças e está sendo difícil porque lá é pequeno e eu não tenho para onde ir. Estou desempregado e não sei o que fazer”, desabafou.
Rosimar mora há seis anos na rua e perdeu praticamente tudo. Ela estava no momento do desastre. “Foi uma coisa horrível, o barranco caindo, minha nora grávida de sete meses, meus dois netos pequenos, uma coisa horrível”, contou.
O barbeiro Deomir Costa foi um dos que tiveram a casa lacrada pela Defesa Civil e ainda não conseguiu abrigo. “Não saímos ainda porque não temos lugar para ir. Estamos aguardando a Defesa Civil, que falou que ia dar o aluguel social ou indenizar. Até agora não sabemos de nada, não vieram aqui passar nada mais para nós”.
A Secretaria municipal de Assistência Social informou que as 57 famílias foram cadastradas para receber o aluguel social e que essa lista foi encaminhada para a Secretaria municipal de Habitação.