Estudantes de escolas municipais e estaduais de Niterói que estão servindo de alojamento para os desabrigados em decorrência dos deslizamentos na cidade estão há quase duas semanas sem aulas, interrompidas pelas chuvas do começo deste mês. Ainda não há previsão de quando as atividades serão retomadas.
A reportagem do R7 esteve neste fim de semana em três escolas estaduais em Niterói e verificou que as aulas em abrigos ainda não foram retomadas. Na escola estadual Machado de Assis, no Cubango, a diretora Isis Barreto pediu uma decisão imediata.
- São 1.200 alunos sem aula, nesta segunda-feira (19) nós já vamos dar um jeito para retomar pelo menos as aulas do terceiro ano [do ensino médio], porque tem vestibular. Eu quero o espaço da escola, mas também quero que resolvam a situação deles [desabrigados] de uma forma correta.
No colégio Doutor Memória (ensino público estadual), a situação é semelhante - os alunos 700 alunos do 2º ao 9º ano do ensino fundamental estão sem aulas.
Segundo Ana Cristina dos Santos, diretora da Escola Municipal Paulo Freire, no Fonseca, a Fundação Municipal de Educação, responsável pelas escolas em Niterói, disse que vai resolver o problema o mais rápido possível, mas não estimou nenhum prazo para o recomeço das aulas.
Tanto Ana quanto Marisa Oliveira, diretora adjunta da Escola Municipal Ernani Moreira Franco, no morro do Bonfim, esperam uma posição do município para que possam tomar as medidas necessárias.
Pais mobilizados
Apesar de entenderem a situação dos desabrigados, os pais dos alunos sem aula já estão se mobilizando para pressionar a prefeitura pela volta às aulas, se necessário até com uma ação judicial.
Francisco Miranda, pai de Douglas, de 11 anos, que estuda na E. M. Paulo Freire, faz parte do conselho Comunidade Escola. Ele e outros pais fizeram um abaixo-assinado em que reivindicam uma solução de moradia digna para os desabrigados e a volta às aulas para os alunos das "escolas-abrigo".
- Todos têm direitos, mas infelizmente o direito deles à moradia está invadindo o direito dos nossos filhos à educação.
A secretária Mara Sodré quer esperar mais duas semanas até decidir se irá ou não colocar sua filha de cinco anos em outro colégio, já que a E. M. Ernani Moreira Franco está sendo usada por aproximadamente 150 pessoas das comunidades do Bonfim e do Mackenzie.
- A gente não quer que eles fiquem nessa situação, mas também não queremos que nossos filhos acabem obrigados a mudar de escola.
Outro lado
A reportagem do R7 procurou a assessoria de imprensa da Prefeitura de Niterói, da Fundação Municipal de Educação e a Secretaria Estadual de Educação para comentar a situação e informar sobre a retomada das aulas e transferência dos desabrigados para outros alojamentos, mas não encontrou ninguém durante o fim de semana.
O R7 segue tentando contato com os órgãos nesta segunda-feira (19).
Na semana passada, o prefeito de Niterói, Jorge Roberto silveira, informou que os desabrigados serão transferidos para um batalhão do Exército, a ser usado como abrigo, no município e que as aulas vão ser retomadas. Entretando, não estimou uma data para as ações.