Cinco cidades Alagoas tiveram as sedes das prefeituras invadidas e ocupadas por trabalhadores rurais ligados ao Movimento Sem Terra. Eles reivindicam o avanço de políticas que atendem o assentamento nas regiões. Os municípios onde ocorrem as ocupações são Delmiro Gouveia, Inhapi, Olho d'Água do Casado, Girau do Ponciano e Atalaia.
No Sertão já são três municípios cujas prefeituras estão ocupadas. Na cidade de Inhapi, cerca de 150 famílias esperam uma posição da prefeitura sobre as negociações. Já na cidade de Olho D’Água do Casado, 110 famílias invadiram a sede da prefeitura. Eles dizem que só deixam a sede depois de conversarem com o prefeito, José Gualberto Pereira. A assessoria informou que o gestor está viajando, mas vai tentar negociar com os agricultores por telefone.
Um número maior de agricultores invadiu a prefeitura de Delmiro Gouveia. 500 trabalhadores esperam na sede municipal uma audiência com o Prefeito Luis Carlos Costa, o Lula Cabeleira, que já confirmou que irá receber os manifestantes.
Em outra cidade alagoana, os Sem terras realizaram uma marcha até o Fórum de Justiça em Atalaia. O ato foi a forma encontrada pelo grupo contra a criminalização das lutas sociais, particularmente, na resolução do assassinato de Jaelson Melquíades, morto em novembro de 2005. Em seguida, eles ocuparam a prefeitura. Os trabalhadores reclamam da atuação do vice-prefeito, Élvio Brasil. Segundo o MST, o gestor vem contribuindo para o despejo de famílias ocupam fazendas no município.
Em Girau do Ponciano, cerca de 350 famílias de agricultores aguardam no interior da prefeitura para negociarem sua pauta de reivindicações.
Reivindicações
Em todas as prefeituras, o MST apresenta uma pauta local de reivindicações que passa pelas questões estruturais e sociais. Embora a política de Reforma Agrária seja inicialmente de responsabilidade do Poder Federal, que através do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) desapropria fazendas que não cumprem sua função social e cria projetos de assentamentos, há responsabilidades que devem ser arcadas pelo poder público local.
A oferta de vagas em escolas de nível básico depende das ações dessas prefeituras, assim como a instalação de postos de saúde em áreas próximas a assentamentos. A realidade de um assentado em Inhapi, no alto sertão alagoano, por exemplo, quando busca serviços de saúde é precária, pois não há unidades de saúde próximo às áreas oficializadas pelo Incra. Também as equipes do Programa de Saúde da Família não chegam nos locais mais remotos, mesmo em pleno Agreste, como é o caso das famílias desassistidas em Girau do Ponciano. Ainda na pauta de reivindicações está a pavimentação e estruturação das estradas que dão acesso aos assentamentos, muitas vezes ignoradas pelas prefeituras.
As ações do MST em nível local estão afinadas com as manifestações que acontecem este mês em todo o país na Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária. O dia 17 de abril foi instituído por decreto do ex-presidente Fernando Henrique como o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária, em memória aos 19 agricultores assassinados em 1997 no município de Eldorado dos Carajás, durante uma manifestação na chamada “Curva do 'S'”. O episódio foi mundialmente conhecido e representa o maior massacre de trabalhadores rurais pelo poder público da história recente no Brasil.