Em 2009, quando a Fifa divulgou as 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, a estimativa de gastos com estádios era de R$ 3,7 bilhões. Hoje, menos de um ano depois e poucos dias antes do prazo-limite para o início das obras, o valor ganhou o acréscimo de R$ 728 milhões, uma correção de cerca de 19,2%.
A conta inicial, de R$ 3,7 bilhões, data de maio de 2009, e não considera Curitiba e Belo Horizonte, que à época não haviam divulgado seus custos. Para efeito de comparação, a reportagem do UOL Esporte excluiu ambas novamente. Com Arena da Baixada e Mineirão, os estádios da Copa passam a custar R$ 5,07 bilhões.
Este número deve aumentar já nos próximos meses. Os investimentos de São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, cidades com estádios particulares, estão atrelados à desoneração dos impostos sobre materiais de construção, que ainda não têm desfecho definido. Caso as taxas sejam mantidas, todas deverão acrescer valores.
Minas Gerais e Natal também reforçam a lista da "inflação". Ambas ainda não definiram seu principal processo licitatório, e o valor divulgado no momento deve ser ampliado. Belo Horizonte, por exemplo, pretende inserir a conta das atrações do entorno do Mineirão, que foram ignoradas nas previsões de gastos de 2009 e 2010.
Os orçamentos ainda podem sofrer aumento por conta de atrasos. Em casos emergenciais, a legislação permite a contratação de empresas sem licitação, o que normalmente resulta em grandes majorações.
Algumas cidades, porém, prometem reduzir sua pedida. O maior exemplo é Brasília, que sofreu nas últimas semanas com acusações de superfaturamento na licitação do estádio Mané Garrincha.
À época, Eduardo Castro Mello, arquiteto do projeto, creditou os altos preços à qualidade dos materiais escolhidos. O responsável, porém, adianta que o valor deve cair quando o processo licitatório for concluído, o que não aconteceu até agora em decorrência do escândalo político que levou o ex-governador José Roberto Arruda à prisão.
“O valor do edital é de R$ 740 milhões, mas esse é o nosso máximo. Vai vencer a empresa que apresentar a menor proposta”, disse o arquiteto.
A maior majoração da lista é a da Fonte Nova, em Salvador, que subiu R$ 271 milhões. O estádio amazonense, por sua vez, apresentou a maior queda, de cerca de R$ 100 milhões.
