A equipe médica do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), na Encruzilhada, Zona Norte do Recife, concluiu o procedimento de aborto legal na garota de 10 anos estuprada pelo padrasto desde os oito. Ela estava grávida de quatro meses e na última sexta (9) teve a expulsão do feto induzida por medicamentos.

Ontem, a menina se submeteu a uma curetagem. Ela foi sedada e fez o procedimento à tarde. Segundo funcionários da unidade de saúde estadual, a garota passa bem. Deixou o bloco cirúrgico do Cisam de maca e se recupera no setor de ginecologia, acompanhada da mãe.

Pela manhã, mãe e filha receberam a visita de parentes. “A avó e a irmã dela de 14 anos estiveram no Cisam e conversaram com as duas”, conta Aline Tavares, advogada do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, onde a família reside. A alta, segundo a previsão da equipe médica, deve ocorrer hoje ou amanhã.

A gravidez foi descoberta no dia 8, no Hospital Jaboatão-Prazeres. No dia anterior, a mãe levou a menina à unidade de saúde municipal depois de ela se queixar de fortes dores na barriga. Após a confirmação, ela confessou que vinha sendo estuprada. A mãe disse que não sabia mas a irmã desconfiava do comportamento do padrasto.

O Conselho Tutelar foi acionado, a polícia prendeu o agressor no hospital e o IML confirmou a violência. Ele foi recolhido ao centro de triagem Cotel, em Abreu e Lima, Grande Recife. Estupro é crime hediondo, com pena de oito a 15 anos de prisão.

Em março do ano passado, uma garota de 9 anos estuprada pelo padrasto também foi submetida a um aborto legal de gêmeos. O então arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso, tentou impedir o procedimento e acabou excomungando os médicos e a mãe da menina. O atual arcebispo, dom Fernando Saburido, se mostrou contra mas decidiu não interferir.