O que se pode esperar de um time que precisando, no mínimo, de quatro pontos para se classificar, joga duas partidas em seu estádio, com o apoio maciço do seu torcedor, e o mínimo que consegue são dois minguados pontos?
Está mais do que evidente que um time nessa situação – neste caso o CRB – não deveria ir para a decisão do Campeonato Alagoano, pois nesse caso passaria outros vexames como os ocorridos na segunda fase do Turnão. Citamos a segunda fase porque, na primeira, o Galo chegou a dar esperanças ao seu torcedor de que estava no caminho certo. Só que sua diretoria, agindo sem profissionalismo e sem compromisso com a tradição do clube da Pajuçara, o que vem sendo comum, não procurou ajustar o elenco, suprindo as carências com a contratação de jogadores qualificados, tendo como única saída, quando o barco estava afundando, mudar o comando técnico, após entregar o time no início do campeonato a um profissional sem as qualidades que o time exigia se quisesse brigar pelo título.
A despedida do CRB da disputa pelo título mostrou claramente a mediocridade de um time sem alma, sem garra e sem apego ao vermelho e branco tão tradicional. E o que esperar dentro de campo de um grupo que acompanha o dia a dia de desavenças entre seus diretores? Nada. Portanto, a ausência do Galo na decisão, que parecia fácil, é um castigo a atual diretoria do clube, onde prevalece a vaidade e a falta de um comando que fale quando for preciso e não se esconda atrás da incompetência.
Mas a vida continua, agora com o CRB somando oito anos sem saber o que é colocar uma faixa no peito, coisa que em outros tempos era comum na Pajuçara.
De resto, é reconhecer que os quatro finalistas merecem estar lá. O destaque maior fica com o Murici, com uma regularidade impressionante. Porém, vale ressaltar a força do Coruripe na reta final, em que pese à até agora inexplicável goleada que sofreu em casa para o Corinthians (4x0), este na decisão pela incompetência do CRB. E o ASA, a quem aponto como o grande favorito a levantar o título, devido a qualidade do seu elenco e pelo trabalho sério que sua comissão técnica e diretoria realizam. Mas se título for para um dos outros três, estará nas mãos de quem fez por merecer ser semifinalista.

DOIS TOQUES

1 - O Sport do Recife é o clube que mantém, atualmente, a maior invencibilidade desta temporada no futebol brasileiro na disputa dos campeonatos estaduais. Na luta pelo pentacampeonato em Pernambuco, o Leão está invicto neste ano. Líder do Estadual, o rubro-negro ostenta 20 jogos sem perder (14 vitórias e seis empates). O Grêmio fica em segundo lugar nessa situação, mesmo surpreendido pelo Pelotas, por quem foi eliminado do Gauchão, perdendo uma sequência de 15 vitórias consecutivas e uma invencibilidade de 51 jogos no Estádio Olímpico, em Porto Alegre.

2 – O jornalista alagoano Aldo Rebelo, deputado federal pelo Estado de São Paulo, lançou na última sexta-feira o livro "Palmeiras x Corinthians 1945 - O Jogo Vermelho" (Editora Unesp). Nele, conta o fato que aconteceu no dia 13 de outubro de 1945, quando os dois times se enfrentaram num clássico diferente no Pacaembu. A partida, de cunho beneficente, foi realizada para arrecadar recursos para o Partido Comunista Brasil (PCB). Veja o que diz Aldo sobre o livro: "O mundo terminava a Guerra, o Brasil terminava com o Estado Novo, começava a Guerra Fria, e duas das maiores agremiações de futebol do país se uniram para ajudar a causa operária, que vivia em dificuldades. Foi um confronto de proporções enormes, pois juntou três grandes movimentos - o movimento operário, o comunista e o do futebol", afirmou. Segundo Rebelo, a obra situa o leitor no momento que vivia a cidade de São Paulo, sendo que o contexto da época e o jogo em si se completam. Vela a pena conferir.