Ao menos 130 padres foram detidos, indiciados e condenados nos últimos dois anos dentro de processos por pedofilia na Itália, informou nesta terça-feira (6) o jornal Il Fatto, citando um advogado, que afirma que o número representa apenas a "parte visível do iceberg".
Das regiões de Bolzano, no norte, a Trapani, no sul, as promotorias italianas se viram confrontadas com o fato de ter que realizar investigações envolvendo eclesiásticos, em casos com vítimas geralmente muito jovens, segundo o jornal.
"É uma cifra alarmante se considerarmos que é apenas a parte visível do iceberg, se pensarmos em todos os casos que ainda não tiveram eco na imprensa ou que não foram denunciados ante a Justiça", afirmou o advogado Sergio Cavaliere, que reuniu a documentação sobre os 130 casos citados, sempre de acordo com o jornal.
"Em nenhum caso o bispo local advertiu à polícia sobre as suspeitas de casos de abusos", afirmou ainda Cavaliere.
Segundo Pietro Forno, juiz da promotoria de Milão, no norte, que instruiu inúmeros expedientes de padres suspeitos de pedofilia, dez dos quais foram condenados, "nos casos tratados as queixas jamais foram apresentadas por um bispo ou outros religiosos, e sim por membros da família, que primeiramente recorreram, sem qualquer êxito, às autoridades eclesiásticas", acrescenta o jornal.
Segundo o diário italiano, a polícia também suspeita da existência de "uma rede de religiosos que têm paixão pelos menores".
"Em mais de um caso, os investigadores estabeleceram que o religioso que cometia abusos sexuais contra menores compartilhava desse desvio com outro correligionários", acrescenta a publicação italiana.
Desde o final de 2009, a Igreja Católica vem sendo abalada por revelações sobre uma série de abusos cometidos por religiosos, geralmente acobertados por sua hierarquia na Europa e, em particular, na Irlanda, na Alemanha e nos Estados Unidos, mas cada vez mais também na Itália.
Nas últimas semanas, o próprio Papa Bento 16 foi questionado pela imprensa alemã e americana por ter, segundo as fontes, mantido silêncio sobre vários abusos do tipo quando era o arcebispo de Munique e, depois, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé no Vaticano. A Santa Sé nega todas as acusações.