Um suposto esquema internacional de exploração sexual de mulheres nordestinas foi descoberto com a prisão do alemão Andreas Schwarz, de 41 anos
O estrangeiro foi preso na noite da última quinta-feira, no Aeroporto Internacional dos Guararapes/Gilberto Freyre, no Recife, quando tentava embarcar para Frankfurt, na Alemanha. Andreas teve mandado de prisão decretado pela Justiça Federal, depois que uma jovem pernambucana de 23 anos procurou a Polícia Federal na última segunda-feira e o denunciou. Pelo menos três mulheres teriam sido aliciadas e levadas por Andreas nos últimos dois meses para trabalhar como garotas de programa na Europa.
Além das recifenses, a Polícia Federal já sabe que o grupo também atuava nas cidades de Natal (RN) e Fortaleza (CE). Existe infrmações da atuação em Maceió e João Pessoa. A jovem também denunciou que o alemão teria matado, este ano, um ex-marido de uma dessas moças, no Recife, por ele ter descoberto toda a trama.
Na próxima segunda-feira, a Polícia Federal pretende intensificar as investigações para descobrir mais detalhes de comofuncionava o esquema que traficava mulheres para serem exploradas sexualmente na Europa. Há informações de que muitas das vítimas teriam sido levadas para Itália, Suíça, Dinamarca, Áustria e Hungria, além da Alemanha. A PF desconfia que o alemão faça parte de uma rede de tráfico internacional de seres humanos.
"Ainda não sabemos quanto tempo ele atuava no Brasil. Andreas esteve no estado em dezembro do ano passado, viajou para a Europa com duas mulheres em janeiro passado e voltou no último dia 18 deste mês. Situação que também está sendo investigada", informou o assessor de comunicação social da PF, Giovanni Santoro.
A jovem pernambucana, de pele morena e cabelos castanhos escuros, que fez a denúncia, chegou a manter um relacionamento amoroso e dividir um apartamento alugado, localizado na Rua dos Navegantes, em Boa Viagem, com o alemão. Desde 18 de março, quando Andreas voltou ao Recife, ele estava residindo no mesmo endereço com a jovem. Ela conta que era mantida em cárcere privado desde então e que resolveu denunciá-lo depois que descobriu o envolvimento dele com o golpe.
"Recebi vários torpedos por telefones de três meninas que viajaram com ele e um amigo em janeiro passado. Elas diziam para eu ter cuidado com Andreas e que não viajasse de jeito nenhum com ele, pois elas estavam sofrendo muito lá na Europa, sendo exploradas sexualmente e sem ganhar um tostão", contou a garota, que pediu para não ser identificada. Segundo ela, Andreas foi apresentado a ela por duas amigas em dezembro passado, no hall social do condomínio, um prédio de classe média, onde mora com a mãe, a avó e um irmão, também em Boa Viagem.
"Me apaixonei logo por ele. E ele se aproveitou disso", comentou. A jovem denunciou ainda que o alemão seria autor de um assassinato cometido contra um taxista, ex-marido de uma das mulheres, que tem 24 anos, levada para a Suíça desde o dia 7 de janeiro.
"Ele matou o rapaz porque ele sabia demais e estava ameaçando contar a verdade para a polícia", ressaltou. Apesar de nunca ter sido ameaçada com arma de fogo, a pernambucana disse que Andreas chegou a comentar com ela que teria facilidade para adquirir uma. Ela também desconfia que o estrangeiro seja usuário de cocaína. Para a PF, o depoimento da jovem foi considerado fundamental para que a Justiça Federal concedesse o mandado de prisão contra o alemão. Andreas está no Centro de Observação e Triagem, em Abreu e Lima. Segunda a PF, traficar mulheres é crime previsto no artigo 231 do código penal brasileiro, cuja pena vai de três a oito anos de reclusão.
