De amizade pública e notória com os irmãos Gomes do Ceará, o senador Tasso Jereissati (PSDB) tem agora a tarefa de aproveitar o calor da crise entre PSB, deputado Ciro Gomes e PT, para consolidar uma possível parceria entre PSB e os tucanos no Estado. Nesta terça-feira, Ciro teve seu nome retirado da corrida ao Planalto, realizando assim o desejo do presidente Lula por eleições plebiscitárias entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT).

Ciro Gomes chegou a dizer que o ex-governador de São Paulo era mais preparado que a ex-ministra-chefe da Casa Civil e defendeu ainda que sua candidatura era importante para assegurar o segundo turno. Essa foi a senha para os tucanos começarem a articular a aproximação.

Após ser afastado da corrida presidencial, Ciro Gomes pediu licença da Câmara, por 30 dias. O deputado já não ia a sessões da Câmara há mais de um mês e, desde o último dia 13, quando a crise entre ele e o PSB se intensificou, deixou de justificar as ausências.

Parlamentares tucanos e do DEM passaram a dar declarações de solidariedade ao deputado. Palavras como "desrespeito", "truculência", "ofensivo" foram as mais frequentes para descrever a retirada da candidatura. Ciro rompeu com o PSDB no início do governo Fernando Henrique e foi para o PPS. Mesmo em outra legenda, continuou mantendo boas relações com o amigo e senador, Tasso Jereissati, que deixou de lado a candidatura presidencial de José Serra em 2002 para apoiar o colega.

Ciro Gomes dificulta também o palanque da ex-ministra Dilma Rousseff no Ceará. A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), se desdobra em mil para garantir o palanque PT-PSB no Estado com Cid Gomes como o candidato ao governo.