O novo ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabas, que tomou posse nesta quinta-feira na vaga deixada pelo petista José Pimentel, afirmou que não há espaço para nova negociação com as centrais sindicais e os parlamentares que garanta um aumento maior aos aposentados que ganham acima de um salário mínimo.
Deputados da base aliada pressionam o governo por um reajuste além dos 6,14% previstos na medida provisória que tramita na Casa. A tentativa é garantir um reajuste da inflação mais 80% do PIB dos dois últimos anos, que daria um índice de 7,9%, com um custo de cerca de R$ 2 bilhões a mais por ano nas contas da Previdência.
Gabas afirmou que as contas não suportam este impacto e pediu responsabilidade:
- Tudo foi feito com diálogo. O governo está convencido de que atingiu seu limite (6,14%). Qualquer coisa acima disso é pouco responsável. A Previdência não pode ser objeto de aventuras em período eleitoral. Tudo que passar dos limites negociados vai prejudicar. Não se pode usar a disputa eleitoreira para comprometer a Previdência.
Técnico de carreira do INSS, onde ingressou em 1985, por concurso público, Gabas sempre atuou no movimento sindical e é filiado ao PT há mais de 20 anos. Foi chamado em 2002 por Ricardo Berzoini, primeiro ministro da Previdência do governo Lula, para ser superintendente do INSS em São Paulo. A pasta teve outros ministros, mas ele manteve-se no cargo até ser chamado, por Nelson Machado, para a secretaria-executiva, onde permaneceu até agora.
Nesta quarta, ao receber o cargo do também petista José Pimentel, Gabas emocionou-se várias vezes e usou expressão repetida por Lula para dizer que "nunca antes na história" da Previdência um servidor de carreira havia assumido o comando da pasta. Destacou sua luta contra a tese de privatização da Previdência e afirmou que a sociedade não aceitará retrocesso neste sentido:
- A Previdência Social tira gente da miséria, da dignidade social. Previdência Social é cidadania. É a maior política de distribuição de renda no país.
O auditório do ministério estava lotado de servidores, amigos de Araçatuba (SP), sua cidade natal, além de quatro ex-ministros da pasta. Mas quem mais causou frisson na solenidade foi a atriz Glória Pires, amiga de Gabas, que fez questão de prestigiar o evento. Glória e o marido Orlando estiveram antes na solenidade no Itamaraty e o presidente Lula não perdeu a piada.
- O novo ministro Gabas, que até trouxe minha mãe para a posse - disse Lula, numa referência ao personagem vivido por Glória Pires no filme que conta sua vida, "Lula, o filho do Brasil", de Fábio Barreto.
Pimentel volta à Câmara, porque disputará a eleição para o Senado no Ceará. Segundo ele, a decisão de concorrer ao Senado foi formalizada pelo PT do estado no último final de semana. O partido fechou apoio à reeleição de Cid Gomes (PSB), mas deixou claro que não aceitará qualquer tipo de aliança formal ou informal com o PSDB.
Cid quer apoiar a eleição de Tasso Jereissati (PSDB) para o Senado. O PT decidiu apoiar Eunício Oliveira (PMDB) para a outra vaga do Senado.