Cerca de cem pessoas foram evacuadas nesta terça-feira (30) da principal catedral ortodoxa de Moscou depois de um telefonema para a polícia anunciado a existência de uma bomba, no dia seguinte aos atentados -- atribuído a duas mulheres-bombas-- no metrô de Moscou que provocaram 39 mortes.

"Um desconhecido ligou para a polícia às 17h02 (10h02 de Brasília) para anunciar que uma bomba havia sido colocada na catedral de Cristo Salvador", informou a agência Interfax citando um oficial da polícia de Moscou. "Cerca de cem pessoas foram evacuadas", segundo esse oficial.

Os representantes do patriarcado pediram de imediato aos fieis que não entrassem em pânico. "O principal objetivo dos terroristas é desestabilizar a situação no país e semear o pânico", declarou o porta-voz da promotoria, Vladimir Viguilianski, falando à rádio Ecos de Moscou.

Hoje, tanto o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, como o presidente Dmitri Medvedev, fizeram declarações duras contra o terrorismo na região. Putin ordenou que as forças de segurança encontrem os responsáveis pelos atentados, afirmando que estes devem ser "arrancados do fundo dos esgotos".

O país reforçou a segurança nesta terça-feira em diversas partes do país. "Sabemos que estão se escondendo", afirmou Putin, citado pelas agências de notícias estatais ITAR-TASS e RIA-Novosti. "Mas agora é uma questão de honra para as forças de segurança arrancá-los do fundo dos esgotos e trazê-los à luz do dia", assegurou. "Assim será feito", acrescentou.

Essas declarações lembram a famosa ameaça de Putin em 1999, quando assegurou que atacaria os rebeldes até nas "latrinas", ao anunciar uma política mais dura das autoridades russas contra os insurgentes chechenos.

Já Medvedev defendeu mudanças nas leis antiterroristas para poder prevenir atentados como os que mataram ontem 39 pessoas no metrô de Moscou.

"Acho que é preciso prestar mais atenção no aperfeiçoamento da legislação destinada a prevenir o terrorismo, inclusive a referente ao trabalho de quem investiga esses crimes", ressaltou Medvedev, citado pelas agências de notícias russas.

Para o presidente russo, deve-se melhorar o funcionamento dos tribunais no momento de aplicar os artigos do código penal relativos ao terrorismo. Ele também destacou a necessidade de aumentar a segurança dos cidadãos no transporte público e em lugares públicos onde se concentram grandes quantidades de pessoas.

"Estamos abalados com as pessoas que perderam a vida em consequência dos atentados terroristas. Essa foi uma tragédia horrível, um crime", disse.

O líder russo visitou ontem à noite a estação de Lubyanka - um dos locais dos atentados -, onde deixou algumas flores em homenagem às vítimas da primeira explosão. Medvedev qualificou de "animais" os terroristas. Ele assegurou que "todos serão liquidados" da mesma forma que o foram os responsáveis por outros atentados na Rússia.