O ex-vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octavio (sem partido, ex-DEM), se manteve calado na manhã desta quinta-feira em depoimento na unidade da Polícia Federal no bairro do Sudoeste, em Brasília.

O político, que teve seu nome citado nas investigações da Operação Caixa de Pandora, que apurou a existência de um esquema de mensalão no DF, decidiu se antecipar à notificação que seria feita pelos policiais federais e compareceu espontaneamente para dar sua versão dos fatos de que é acusado.

Por orientação de seu advogado de defesa, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, Paulo Octavio permaneceu calado diante das perguntas formuladas pelo delegado Alfredo Junqueira. A tese de seus juristas é que o ex-vice-governador ainda não teve acesso à íntegra do inquérito e tampouco às perícias que estão sendo feitas na Polícia Federal.

Ainda nesta tarde a PF diz pretender notificar o governador cassado do Distrito Federal, José Roberto Arruda.

Preso desde o dia 11 de fevereiro por suspeita de corrupção de testemunhas e por supostamente utilizar a máquina pública para impedir a tramitação de processos de afastamento, Arruda teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) por infidelidade partidária. Ele deixou o partido Democratas às vésperas de ser expulso pela agremiação.

Entenda o caso
O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".

As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.