Depois de indicar a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para ser a candidata do PT a sucedê-lo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou nesta quinta-feira (24) que esteja disposto a apontar também quem será o peemedebista que fará parte da chapa governista nas eleições de outubro.
O PMDB, cujo apoio ganhou status de primordial para o governo, prefere que seu presidente, o deputado federal Michel Temer (SP), seja o companheiro de Dilma. Interlocutores de Lula disseram à imprensa nas últimas semanas que o mandatário prefere o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, recém-filiado ao partido.
“Não existe isso de desejo do Lula de fazer vice da Dilma”, afirmou o presidente a jornalistas depois de receber o rei da Suécia, Carl Gustaf, em Brasília. “Isso é para os partidos aliados, para a própria Dilma escolherem. O meu vice no tempo certo eu escolhi. Eu já escolhi a candidata, escolher o vice seria demais.”
No fim do ano passado, Lula chegou a sugerir a formulação de uma lista tríplice de peemdebistas para que Dilma escolhesse. Temer e seus aliados, nos bastidores, reagiram e anteciparam a convenção para fevereiro, de forma que o presidente da sigla ganhasse mais respaldo na tentativa de ser indicado vice da petista.
Na conversa com o sueco, Lula defendeu o diálogo multilateral e a não proliferação de armas, no momento em que o Ocidente cobra sanções ao Irã por suspeitas de que seu programa nuclear tem objetivos bélicos.
Ao fazer brinde ao rei e à rainha Silvia, Lula afirmou: “O mundo que queremos só será possível pela defesa intransigente da democracia e do multilateralismo, do diálogo sobre a força, do desarmamento e não proliferação, da preservação do meio ambiente e do respeito aos direitos humanos”.
No caso do Irã, o Brasil defende a busca pelo diálogo com o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad e não a definição de sanções, como querem os Estados Unidos, a França, a Alemanha, a Inglaterra e outros países. Para o governo brasileiro, os iranianos têm direito de desenvolver seu programa nuclear desde que os fins sejam pacíficos.
Desde a última segunda-feira (21), os reis suecos visitam o Brasil acompanhados dos ministros da Saúde e Assuntos Sociais, Göran Hägglund, e da Defesa, Sten Tolgfors. A visita é a retribuição de viagem feita por Lula à Suécia, em 2007. Os escandinavos, por meio do avião Gripen, da Saab, participam da bilionária licitação brasileira para compra de caças. Os franceses da Dassault, com seus Rafale, no enanto, são favoritos para vencer.
O comércio bilateral entre Brasil e Suécia passou de US$ 900 milhões, em 2003, para US$ 2,3 bilhões, em 2008. Cerca de 200 empresas suecas estão no país atualmente e geram aproximadamente 50 mil empregos.