A aprovação da reforma da saúde, com 219 votos, marca a maior vitória do governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, desde que assumiu a pasta em janeiro de 2008. Com 212 votos contra, a aprovação também é histórica por não ter recebido nenhum voto republicano, de acordo com análise do jornal americano The New York Times, que informa que nenhuma mudança social conseguiu ser aprovada sem nenhum voto republicano.

Para o NYT, Obama foi para o “tudo ou nada”, manteve seu argumento racional, mas se mostrou disposto a ir até às últimas consequências para aprovar a proposta e praticamente paralisou sua agenda. Ele jogou todas as fichas na reforma da saúde. E ganhou.

Conciliador, ele se pronunciou após a votação:

- Esta não é uma vitória para nenhum partido, é uma vitória para o povo americano.

Caso tivesse perdido, seria um desastre na análise do NYT. O jornal informa que, com a popularidade caindo, ele seria desacreditado pelos democratas, acusado de ter perdido um tempo precioso com No entanto, mais uma vez Obama fez história. O primeiro presidente negro eleito dos EUA desmontou o argumento polarizado que o acusava de “socialista”. A proposta de uma reforma no sistema de saúde já havia sido rejeitada em 1993, durante o governo do democrata Bill Clinton (1993-2001).

A reforma da saúde obriga todo americano a ter alguma espécie de cobertura, com o risco de pagar uma multa de US$ 750. O governo irá subsidiar os custos daqueles que não podem pagar, o que ajuda a 32 milhões de pessoas sem nenhuma espécie de cobertura a entrar na rede de saúde.

O plano também estabelece que as seguradoras não podem rejeitar nem cancelar cobertura médica para pessoas com condições pré-existentes.

Agenda de reformas continua

Agora Obama parte com energia renovada para cumprir uma agenda de reformas, que incluem a do sistema financeiro e a da imigração.

Ontem, uma manifestação com 100 mil pessoas marchou pelas ruas de Washington pedindo que re forma migratória seja votada logo após a da saúde. Obama enviou uma mensagem à multidão, na qual prometeu que o texto deve passar pela casa ainda neste ano.

Os manifestantes comemoraram a promessa de Obama e, na verdade, ameaçaram os democratas, lembrando que há eleições legislativas em novembro. O voto hispânico, oriundo da minoria que mais cresce nos EUA, ameaça fugir dos republicanos, caso não queiram discutir a reforma.

Obama levou 65% dos votos dos hispânicos em 2008 e não é à toa que o explicativo da reforma da saúde também estava disponível em espanhol no site da Casa Branca.

Por outro lado, com o desemprego crescente, aumento o número de americanos contrário a uma legalização mais fácil para os imigrantes. O debate promete polarizar ainda mais a sociedade americana.