O Centro do Rio de Janeiro será palco na tarde desta quarta-feira (17) da manifestação "Contra a Covardia! Em Defesa do Rio!". O governo espera reunir cerca de um milhão de pessoas. Trata-se de um protesto contra a emenda Ibsen Pinheiro que, aprovada pela Câmara dos Deputados na semana passada, tira dos cofres do governo do Estado e da maioria dos 92 municípios fluminenses mais de R$ 7 bilhões por ano, provenientes do pagamento de royalties e de participações especiais pela exploração petrolífera em sua plataforma marítima.

A proposta que pode, segundo o governador Sérgio Cabral, "quebrar o Estado", será questionada pela sociedade em uma passeata da Candelária até a Cinelândia. A concentração será a partir das 15h. Líderes religiosos, partidos políticos, sindicatos e artistas devem integrar o movimento.

Shows

O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, também participará da mobilização, que será comandada pelo cantor Tony Garrido. Diversos artistas já confirmaram presença. Entre eles, Leandro Sapucahy, Fernanda Abreu, Molejo, Sapão, Revelação, Pixote, Gustavo Lins, Furacão 2000 (Rômulo Costa e Priscila Nocetti), Os Hawaianos, Neguinho, Alcione, Suingue e Simpatia, Sandra de Sá, Bom Gosto, Nega Gizza / Bill, Sany PitBull, Paula Sued e Pedro Luis e a Parede.

As escolas de samba Grande Rio, Salgueiro, Mangueira, Portela e Vila Isabel também participarão.

Ponto facultativo

O Estado e o município do Rio decretaram ponto facultativo nas repartições públicas a partir das 15h desta quarta-feira. Em municípios mais distantes da capital, como Campos, por exemplo, o ponto facultativo será integral para que os servidores possam viajar para a manifestação.


A CET-Rio (Companhia de Engenharia de Tráfego) montou um esquema especial de trânsito. Painéis de mensagens variáveis, posicionados em vários pontos da cidade, orientarão os motoristas em relação às interdições e ao evento. Além disso, 280 agentes da Guarda Municipal e 50 agentes de tráfego da CET-Rio vão atuar na região.

A partir das 14h, será interditada a pista lateral da avenida Presidente Vargas, sentido Centro, no trecho entre a avenida Passos e rua Uruguaiana, e entre a rua Uruguaiana e a avenida Rio Branco.

A partir das 15h, todo o eixo e transversais da avenida Rio Branco estarão interditadas ao tráfego de veículos, no trecho entre a rua Visconde de Inhaúma e a avenida Presidente Wilson, assim como o entorno da Candelária e a alça de acesso da avenida Perimetral para a avenida Presidente Vargas.

A avenida Marechal Floriano também será interditada ao tráfego de veículos, no sentido para a avenida Rio Branco, inclusive com proibição de estacionamento em todo o perímetro a partir das 5h.

Ônibus x evento

Os ônibus com destino ao evento terão área de desembarque e embarque na avenida Presidente Vargas e na avenida Graça Aranha. Poderão estacionar nos seguintes bolsões: Cidade do Samba / avenida Rodrigues Alves junto aos Armazéns, a partir do armazém 7; Teleporto; avenida República do Chile; e avenida Presidente Vargas, pista lateral sentido Centro, junto às edificações, na área interditada, num total aproximado de vagas para 450 ônibus.

Os ônibus convencionais vindos da zona norte em direção à zona sul serão desviados pela avenida Passos em direção à avenida República do Paraguai. Os ônibus que vão da zona sul em direção à zona norte serão desviados pela ruas Primeiro de Março, Visconde de Inhaúma, Visconde da Gávea e avenida Presidente Vargas.

Polêmica

A emenda aprovada pela Câmara dos Deputados diminui a receita dos Estados produtores de petróleo: São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

No Rio, o prejuízo será de cerca de R$ 2 bilhões para os municípios e R$ 5 bilhões para o Estado. Segundo o governador Sérgio Cabral, a mudança vai parar o Estado, que não terá mais recursos para investir em educação, saneamento, entre outras áreas que são beneficiadas pela verba proveniente dos royalties.

- Saem R$ 5 bilhões do Estado e eles têm que ser repostos. Nós vamos perder mais do que tudo que o Estado investiu em 2009, que foi cerca de R$ 4 bilhões. Tirou esse recurso, acaba o investimento. Acabou tudo. Não é exagero, não. O Estado para.

O caso ainda terá que passar por aprovação do Senado e do presidente Lula. A última alternativa é o Supremo Tribunal Federal.