A Polícia Federal de Foz do Iguaçu informou nesta terça-feira que o resultado do exame toxicológico feito no jovem Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 24, acusado de matar o cartunista Glauco Vilas Boas, 53 e seu filho Raoni, 25, deve ficar pronto na sexta-feira (19). O teste foi realizado ontem.
Segundo a PF, o resultado vai indicar se o acusado estava sob efeito de algum tipo de entorpecente quando tentou fugir para o Paraguai e foi detido pelos policiais na fronteira do país. Apesar disso, não será possível determinar se Cadu estava sob o efeito de drogas no momento da morte de Glauco, na madrugada de sexta-feira (12).
O delegado Archimedes Veras Júnior, da Delegacia Seccional de Osasco (Grande São Paulo) já tinha chegado ao Paraná por volta das 12h30 desta terça para colher o depoimento de Cadu.
Veras Júnior viajou para o Estado vizinho por volta das 23h de ontem com uma equipe do SIG (Setor de Investigações Gerais) de Osasco e deve colher o depoimento de Cadu ainda na manhã desta terça-feira. O rapaz está preso desde a madrugada de segunda após tentar cruzar a fronteira para o país.
Cadu foi localizado pela polícia após ter sido interceptado por uma fiscalização de rotina na madrugada de ontem, que o ordenou a parar. Ele não parou e atirou contra os policiais. Os policiais, então, perseguiram Cadu na ponte, onde conseguiram pará-lo. Ele só foi identificado como o assassino do cartunista Glauco Vilas Boas quando seus documentos foram checados.
Ontem, o delegado Veras Júnior ouviu mais três testemunhas da morte do cartunista. Entre eles estava um amigo de Raoni que afirmou que o motorista que levou Cadu até a casa de Glauco participou do crime. "O depoimento do João Pedro [Costa, amigo de Raoni] levou a crer que o Felipe [Iasi]também estava presente no momento dos disparos. Falta apenas ouvir o que o indiciado vai falar para saber exatamente o que aconteceu."
De acordo com o delegado, Iasi também deve ser indiciado por contribuição ou coautoria do crime. O rapaz foi liberado pela polícia no domingo (14) após prestar depoimento por ter bons antecedentes e residência fixa. Ele negou participação no crime, disse que foi sequestrado por Cadu e ameaçado com uma arma para ir até o local do crime.
Caso
Glauco e Raoni foram mortos a tiros na casa do cartunista, em Osasco (Grande São Paulo), na madrugada de sexta-feira (12). Segundo as testemunhas, o suspeito chegou ao local e rendeu, primeiro, a enteada de Glauco, que mora em uma casa no mesmo terreno.
Cadu era conhecido da família por já ter frequentado a igreja Céu de Maria, que segue os princípios do Santo Daime e foi fundada por Glauco.
Segundo o relato das testemunhas, Cadu estava transtornado e delirava. Ele estava armado com uma pistola automática e uma faca. Glauco tentou negociar com Nunes e chegou a ser agredido. De acordo com Veras Júnior, Glauco não reagiu.
No meio da discussão, porém, Raoni chegou ao local de carro. Em seguida, Cadu atirou contra pai e filho, mas os motivos ainda não foram esclarecidos. Os dois chegaram a ser atendidos no hospital, mas não resistiram e morreram.