O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta sexta-feira a paralisação de obras suspeitas de superfaturamento mas defendeu "toda e qualquer" fiscalização.

"Sou favorável a toda e qualquer fiscalização, que ela fosse feita 24 horas por dia, via satélite, acontece que as coisas são complicadas. Muitas vezes as pessoas levantam suspeita de uma obra. Correto! Aí manda paralisar a obra. Depois de oito meses da obra paralisada, chegam à conclusão de que a suspeita era improcedente. Agora, quem pagou o prejuízo de oito meses da obra parada? Não aparece. O povo brasileiro paga, porque não tem a obra", afirmou Lula em entrevista à rádio Banda B, no Paraná.

Segundo Lula, é preciso encontrar "novos mecanismos" para tornar a fiscalização das obras mais ágil e transparente. Porém, o presidente descartou a possibilidade de enviar um projeto de lei para o Congresso devido às eleições.

"Este é um ano que não adianta mandar projeto de lei para o Congresso Nacional para mudar nada porque é um ano eleitoral, mas eu penso que nós vamos ter que tornar mais ágil, ou seja, mais transparente e, ao mesmo tempo, mais ágil", disse.

Na segunda-feira, em discurso durante cerimônia oficial no Rio de Janeiro, o presidente disse que ia paralisar grandes obras que estão sob suspeita de superfaturamento, segundo auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União), para evitar demissões.

"Eu adotei uma filosofia de vida de que é o olho do dono que engorda o porco. Eu tenho que estar presente sempre para saber se as coisas que nós decidimos estão funcionando. Há menos de um mês, se a gente não fica esperto, essa obra estaria parada, a obra da Repar (Refinaria do Paraná) estaria parada e a obra da refinaria de Pernambuco estaria parada, e 27 mil trabalhadores teriam sido mandados embora", afirmou no Rio.

No fim de janeiro, Lula sancionou o orçamento de 2010, vetando a retirada de quatro obras da Petrobras, que estavam na lista de irregularidades apontadas por auditorias do TCU. Com isso, o repasse de recursos para esses projetos ficou garantido, apesar da avaliação do tribunal.