Alagoas atualmente é referência quando o assunto é cobertura em triagem neonatal, popularmente conhecida como o “teste do pezinho”. Isso porque 100% dos muncípios alagoanos possuem o serviço, o que coloca o Estado no topo nacional de cobertura desse serviço, que é indispensável à saúde do bebê.

Isso graças ao trabalho desenvolvido desde 2008 pela equipe do Laboratório de Análises Clínicas Serviço de Referência em Triagem Neonatal da Maternidade Escola Santa Mônica, a chamada Casa do Pezinho, que funciona no prédio anexo à Santa Mônica, localizada no bairo do Poço.

Somente na capital, além da própria Casa do Pezinho, a cidade tem pelos menos mais 54 pontos de atendimento, descentralizando o atendimento, independentemente do serviço oferecido à população pelo laboratório que funciona na Santa Mônica.

Mas para que o Estado dê um salto ainda mais qualitativo, dois pontos ainda são fundamentais para a evolução do trabalho que pode salvar milhares de bebês de donças irreversíveis no futuro: a redução da desinformação por parte dos pais de que é imprescindível levar a criança ao posto até o sétimo dia de vida e a maior conscientização dos próprios profissionais envolvidos na disseminação da informação, quer sejam médicos, enfermeiros, técnicos, psicólogos e outros.

“Alagoas está muito bem quando o assunto é a cobertura, pois hoje atingimos 100% dos municípios. Mas o percentual de satisfação desce quando sabemos que apenas 25% dos pais levam seus filhos para fazer o exame até o sétimo dia de vida do bebê, prazo que é fundamental para o diagnóstico que tem como objetivo evitar doenças”, alerta a médica coordenadora do Laboratório da Casa do Pezinho, Fátima Cunha.


Esse dois itens apontados pela especialista se justificam porque tanto pais como profissionais de saúde envolvidos no processo precisam deixar claro que o bebê tem um cronograma básico que pode salvar sua vida do risco de doenças como retardo mental, hiportiroidismo, entre outros males, como anemia falciforme. De acordo com esse cronograma apontado por Fátima, a idade ideal para se levar o bebê para se submeter ao teste do pezinho é entre o 3º e o 7º dia da nascimento. Do 8º ao 28º é um tempo de tolerância. “Passado esse período, infelizmente caracteriza-se com o inadmissível e essa displicência pode ser fatal para a criança por toda a vida”, alerta a médica.

“Saímos de 2% de atendimentos em 2008 para 27% no ano passado, mas é preciso melhorar mais”, completa Fátima Cunha.

Antes da implantação da Casa do Pezinho em 2008, pelo governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), o Ministério da Saúde credenciou Alagoas, em 2001, no Programa Nacional de Triagem Neonatal, bem como os demais estados. A partir de então, a Santa Mônica foi habilitada para a fase 1 do programa e passou a realizar, por mês, uma média de quatro mil testes do pezinho e se tornou referência em Alagoas no diagnóstico e tratamento das doenças de fenilcetonúria e hipetiroidismo congênito, que provocam retardamento mental no bebê.

Processo e descentralização - A Casa do Pezinho é hoje essencial para a realização dos exames, evitando o diagnóstico tardio de doenças que podem ser revertidas se diagnosticadas precocemente, além de reunir em um só local todas as etapas da coleta: diagnóstico, tratamento e acompanhamento das doenças.

De acordo com a médica Sandra Helena de Oliveira, gerente da Casa do Pezinho, a média de atendimento no local é de 250 a 300 crianças. O exame pode ser realizado das 7h às 13h ou das 14h às 16h, de segunda a sexta-feira.

“Mas os pais podem procurar tranquilamente os 57 pontos espalhados pela capital ou os mais de 300 postos instalados no interior de Alagoas, que conta com um apoio importantíssimo do Programa Sáude da Família (PSF)”, informa Sandra.

A médica acrescenta que, a cada quatro mil crianças nascidas, uma apresenta hipotiroidismo que ocorre quando a tireóide do bebê não é capaz de produzir quantidades adequadas de hormônios e que resulta na redução generalizada dos processos metabólicos. Já a cada 12 mil, uma tem fenilcetonúria, que pode gerar atraso global do desenvolvimento neuro, psíquico e motor da criança, o chamado retardo.

Já no caso da anemia falciforme, a proporção é de um para cada 1.200 bebês nascidos. Ela é outra doença comum diagnosticada pelos profissonais quando a criança não recebe os cuidados necesários até o sétimo dia de vida. É uma doença hereditária, que leva a uma deformação das hemácias (glóbulos vermelhos) em forma de foice. Uma alteração genética na hemoglobina faz com que os glóbulos assumam a forma de uma meia lua ou foice, depois que o oxigênio é liberado. As células em foice tornam-se rígidas ou endurecidas e tendem a formar grupos que podem fechar os pequenos vasos sanguíneos, dificultando a circulação do sangue. Como há vasos sanguíneos em todas as partes do corpo, pode ocorrer lesão em qualquer órgão, como nos pulmões, nos rins e outros.
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O exame se dá por meio da furada e coleta de sangue no calcanhar do recém-nascido - seguido do diagnóstico. “O retardamento da iniciativa dos pais em levar o bebê depois do cronograma tem efeito cumulativo. Quanto mais tarde o diagnóstico, mais grave será o problema. Se a doença for descoberta cedo, a criança pode levar uma vida normal”, ressalta Sandra.

O prazo entre a coleta e o resultado do exame se dá em sete dias. Caso seja positivo, o município onde a criança mora fica sabendo em até três dias para que o tratamento seja iniciado o quanto antes.

O exame faz com que doenças causadoras de sequelas irreparáveis no desenvolvimento mental e físico da criança sejam detectadas e tratadas mesmo antes do aparecimento dos sintomas.

E como parte dessa conscientização, profissionais da equipe multidisciplinar da Casa do Pezinho da Santa Mônica participam de capacitação do Serviço de Referência para Aconselhamento genético em doenças falciformes, cujo primeiro encontro ocorrerá nesta quarta-feira (10) , no Conselho Regional de Medicina (CRM), em Maceió.

O projeto está sendo organizado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e Universidade Estadual de Ciências da Saúde (Uncisal), por meio da Santa Mônica. Financiado pelo Ministério da Saúde, os encontros são destinados aos profissionais que atuam no processo de detecção e tratamento de doenças falciformes que podem ser identificadas ainda nos primeiros dias de vida.

Ao todo, o projeto terá oito encontros. O segundo será realizado no dia 17 de março, também no Conselho Regional de Medicina, em Maceió. Os demais serão realizados em cidades do interior do Estado, como Arapiraca, nos dias 24 de março e 26 de maio, e que será voltado aos profissionais da 4ª Região; União dos Palmares, entre os dias 14 de abril e 9 de junho, com profissionais da 5ª Região; em São Miguel dos Campos, no dia 28 de abril, para a 2ª Região, e em Santana do Ipanema, no dia 12 de maio, destinado aos profissionais da 3ª Região.

Os interessados em participar podem fazer a inscrição na sede da Sesau, em Maceió, no bairro do Jaraguá. Mais informações pelo telefone 3315-1157.