O terrorista italiano Cesare Battisti foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto por porte de passaporte falso. A decisão foi tomada no dia 19 de fevereiro pelo juiz Rodolfo Kronemberg Hartmann, da 2ª Vara Federal do Rio, segundo o acompanhamento processual da Justiça Federal.

O italiano pode recorrer da decisão. Condenado, ele não pode ser extraditado para a Itália. Em audiência em dezembro, Battisti admitiu que portava um passaporte falso ao chegar ao Brasil, em setembro de 2004.

Segundo o italiano, agentes brasileiros e italianos que o monitoravam liberaram sua entrada no país, e que o passaporte não foi utilizado. Battisti veio da França e tinha um passaporte monitorado com código de barras.

No processo, ele é acusado de falsificação de selo ou sinal público ao entrar no Brasil --usou carimbo falso do Brasil num segundo passaporte que teria sido enviado da França depois que o documento com o qual chegou ao Brasil teria sido roubado. Battisti alegou que não precisou usar nenhum dos passaportes. O documento foi repassado por uma comunidade de refugiados da França.

Sua vinda ao Brasil, contou, tinha como objetivo o pedido de refúgio político. Battisti é condenado à prisão perpétua por quatro homicídios.

Ele afirmou que estava informado de que seria preso. Segundo ele, depois de sua prisão, policiais franceses armados apareceram no carro em que era transportado. O delegado da PF (Polícia Federal), Osvaldo Ferreira, admitiu que dois policiais franceses participaram da operação.

"O mais importante da audiência foi a confirmação, pela Polícia Federal, da participação, na prisão dele, de policiais franceses. Até agora se negava isso", afirmou o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, logo após o depoimento. A reportagem ainda não encontrou o advogado para comentar a condenação.

Em novembro de 2009, o STF (Supremo Tribunal Federal) autorizou a extradição do terrorista. Por 5 votos a 4, os ministros do Supremo decidiram que o refúgio dado pelo então ministro Tarso Gerno (Justiça) era irregular. No entanto, eles entenderam que a palavra final sobre a extradição é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Battisti está preso no Penitenciário da Papuda, em Brasília.