Janeiro é mês de recesso no Senado,portanto não existem sessões e por conseqüente não deveria haver despesas dos senadores em Brasília, mas não foi isto que aconteceu, um levantamento dos sites Congresso em Foco e Transparência Brasil apontou que 40 dos 81 senadores usaram R$ 332.968,22 de verba indenizatória no período.

Na lista dos seis senadores que mais utilizaram esta verba apareceu nome do senador alagoano Fernando Collor de Mello, que utilizou R$14.383,96, de verba indenizatória e mais R$ 725,00 de combustível sem que houvesse uma só sessão no Senado.

Os outros dois alagoanos, João Tenório e Renan Calheiros não aparecem momentaneamente no relatório, mas como o senador tem até o final do ano para apresentar as notas fiscais e pedir o reembolso dos gastos feitos no primeiro mês de 2010 estes gastos podem ainda aparecer.

Os campeões de pedido de ressarcimento no mês que não houve sessões no Senado foram os senadores Demóstenes Torres, Geovani Borges e Raimundo Colombo, com R$ 15 mil cada um. O senador Eduardo Azeredo de Minas Gerais, envolvido em um episódio de mensalão também aparece na lista com R$ 14.849,00. Veja aqui a lista completa.

O senador alagoano Fernando Collor de Mello já havia sido campeão nacional no uso de verbas indenizatórias durante o ano de 2009. Ele gastou a bagatela de R$ 180.468,05, mais que o dobro do que foi gasto com os outros dois alagoanos, Renan Calheiros, que utilizou R$ 64.786 e João Tenório que usou R$ 18.807,00

Senador incluído na lista diz que trabalhou em janeiro

Os senadores que usaram a verba indenizatória em janeiro alegam que recorreram ao benefício porque trabalharam normalmente em seus estados durante o recesso parlamentar. Um dos três a utilizar integralmente a cota mensal de R$ 15 mil, Raimundo Colombo (DEM-SC) disse que não parou de circular por Santa Catarina um só instante em janeiro porque é pré-candidato nas eleições de outubro.

“Esse negócio de que político trabalha pouco é um mito. O senador não pára um minuto no estado, está circulando o estado inteiro em atividade política”, afirma a assessoria de Colombo.

“O senador viajou janeiro inteiro. A verba de representação não tem nada a ver com o recesso em Brasília. Aqui não é gasto nada. Político que tem carreira não tem recesso. Provavelmente vai ser candidato a governador, então não tem férias”, afirma o gabinete.

Segundo a assessoria do catarinense, o Senado faz um controle rígido sobre a prestação de contas dos senadores. "Nós temos extrema preocupação de as coisas serem exatamente dentro dos limites legais. Ele trabalhou. Ele é pré-candidato ao governo, ele não pode parar. Político não tira férias."

Raimundo pediu ressarcimento de R$ 12.056,59 por gastos com a divulgação do mandato. Foi o segundo maior valor registrado entre os senadores. O dinheiro, explica a assessoria, foi usado na confecção de um jornal com as ações do senador. “Ele tem de mostrar para o eleitorado o que está fazendo. Ele ganhou um prêmio ano passado, de mérito legislativo. Se não fizer a divulgação do mandato, o cara não sabe que ele existe.”

Colombo ainda recebeu R$ 2.713,26 para cobrir despesas com locomoção e outros R$ 230,15 por causa de duas contas de energia do escritório político