No dia seguinte ao título da Taça Guanabara, o almoço do "talismã" Caio foi servido na casa da avó Natalina, em Volta Redonda, com muita festa de parentes e amigos. O irmão Fabrício não foi trabalhar, a mãe, Nelma, ligou dos EUA para parabenizar o filho e a avó materna, mal tirou a mesa, voltou à cozinha para garantir o jantar favorito do neto: o famoso mexidinho.

Feliz da vida, mas com dores no joelho esquerdo, devido a uma entrada desleal do volante Nilton, Caio passou o dia concedendo entrevistas e só à noite teve tempo para curtir a namorada, Larissa. "É bom demais lidar com este meu momento de celebridade. Onde vou sou reconhecido, as pessoas me param para pedir fotos e autógrafos", disse o garoto, 19 anos, que ficou vermelho com uma solicitação mais ousada de uma fã.

"Ela me pediu um autógrafo no escudo do Botafogo, caí na gargalhada, mas assinei rapidinho. Se não, acaba meu namoro", afirmou, sem dizer onde teve que apoiar para escrever.

O pai Luiz Alberto também não cabia em si de tanto orgulho. Domingo, ele esteve no Maracanã para assistir à final pertinho do banco de reservas do Botafogo. "Fiquei na cadeira azul. No fim, gritei para o Caio e ele me viu. Ele chorou de um lado e eu do outro. Muita emoção".

Apesar de não ter feito gol contra o Vasco, como na eliminação do Flamengo na semifinal da Taça Guanabara, Luiz Alberto tem a certeza de que o filho trouxe sorte ao Botafogo quando entrou em campo, além de ter sido fundamental para a vitória. "O jogo estava 0 a 0 e sem velocidade. Ele entrou infernizando a defesa e passaram a bater nele. A partir dali, só deu Botafogo. Se apertassem mais, teriam feito uns três ou quatro gols", disse. "O Vasco foi a campo achando que era fácil ganhar".

Com humildade, Caio também reconhece que foi peça fundamental na vitória: "sofri uma falta, num momento em que o Vasco estava melhor, e, na cobrança, saiu o escanteio do gol do Fábio Ferreira".

Com reapresentação amanhã, às 9h (de Brasília), o talismã alvinegro só quer saber de aproveitar o tempo com a família, a namorada e a comida da avó. "Como muito porque gasto muita energia", ri.

Dor e sacrifício pelo Botafogo

As dores no joelho esquerdo incomodam, mas Caio já decidiu: "mesmo com dor, quero jogar para ajudar, vou para o sacrifício. Até porque o Loco Abreu foi convocado pela seleção uruguaia. É minha chance".

No lance que ocasionou a expulsão de Nilton, o volante do Vasco deu uma entrada violenta no atacante, que sofreu um corte no local. Longe do clube, Caio começou o tratamento. "Estou colocando gelo. Está um pouco inchado e ralado da chuteira dele", disse Caio, que tem o Americano, domingo, como próximo adversário.

No Maracanã, Luiz Alberto assistiu ao lance e temeu o pior. "Fiquei desesperado, com o coração apertado. Quando vi o carrinho entrando em campo, achei que era coisa pior", lembra. "O menino está mancando e tem a marca de três ou quatro travas na perna. Isso não é coisa que se faça", afirmou.

Antenado na decisão, o ex-técnico Zagallo também condenou a atitude de Nilton e fez elogios a Caio: "é um menino novo, que já provou que não tem medo de nada. E também está tendo a sorte que é preciso ter no futebol".