O Botafogo pretende fazer uma limonada a partir de alguns limões que tem nas mãos. Assim, iniciou conversas com a Vale do Rio Doce para transformar uma dívida de R$ 2,6 milhões – que não tem condições de pagar – em um projeto social com sede no Engenhão, em parceria com a mineradora, que visa a estimular a prática de esportes e, assim, ajudar o Brasil a descobrir mais talentos para as Olimpíadas de 2016, que acontecerão no Rio de Janeiro.

Os números da dívida se refere a dois processos, ajuizados em 1997. O primeiro é referentes a débitos de IPTU de 1991 a 1993, e o segundo provém da reforma da sede de General Severiano, em 1993. A ideia inicial era que a Vale do Rio Doce dividisse com o clube os custos da obra, mas por causa da falta de recursos do Alvinegro, a mineradora acabou pagando por tudo. A execução da dívida e o não pagamento da mesma poderiam, em última análise, acarretar na prisão do presidente Maurício Assumpção.

De acordo com o departamento jurídico do Botafogo, ainda não se esgotaram todas as possibilidades de recorrer da ordem judicial. No entanto, o clube entende que a negociação que transformaria a dívida num projeto social seria o melhor caminho para as duas partes.

- Inicialmente a conversa com a Vale tinha como objetivo um acordo para o parcelamento da dívida, mas depois surgiu a ideia da contrapartida social. Ainda não definimos se o projeto cobrirá todo o valor devido pelo Botafogo, mas o diálogo está aberto - explicou Joana Prado, diretora jurídica do Alvinegro.

O projeto prevê que o projeto social Estação Conhecimento Brasil Vale Ouro utilize as instalações do Engenhão para clínicas de treinamento de atletismo e futebol feminino. Elas serviriam tanto para a formação de atletas quanto para o aperfeiçoamento de profissionais de educação física, como treinadores e preparadores físicos.

- Estamos em fase de negociação de dias, horários e estrutura logística. Para a Vale seria importante contar com alunos treinando numa das sedes dos Jogos de 2016, e para o Botafogo seria benéfico desenvolver projetos com fins sociais, usando a integração como ferramenta. A busca seria por excelência na formação e nos formadores de atletas - observou Márcio Padilha, diretor de marketing do clube.