Quem saiu de casa para comprar medicamentos a partir desta quinta-feira, quando passou a valer a nova resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pôde perceber que alguns estabelecimentos adotaram as mudanças, dentre as principais, passar remédios para o lado de trás do balcão. Em Novo Hamburgo, de cinco farmácias visitadas pela reportagem, apenas uma passou a aplicar a Resolução (RDC) 44/2009. As demais alegaram ter liminares concedidas pela Justiça, que as desobrigam de cumprir o dispositivo. Se as drogarias estão divididas quanto ao cumprimento das normas, consumidores também demonstram dúvida quanto aos prós e contras das alterações.
Há os que reclamam da mudança, alegando que a compra dos medicamentos será mais demorada. A gerente Jaqueline Godoy, que trabalha para uma rede de farmácias de abrangência nacional, diz que a simples mudança das embalagens do paracetamol, que migraram da frente do balcão para as prateleiras de acesso restrito aos funcionários, fez com que a venda caísse de 70 para 10 caixas por dia. Mas, em contra partida, têm consumidores comemorando as mudanças. "Isso irá evitar a automedicação e suas consequências danosas", considera a auxiliar de escritório Natália Soares, 19.
Para o farmacêutico Roberto Kopschina, a resolução significa maior responsabilidade ao profissional. "A classe considera que a farmácia não pode ser vista apenas como um comércio, mas como um lugar de saúde", explica. Ele afirma que a o Rio Grande do Sul não sentirá as grandes mudanças propostas pela Anvisa, como a proibição das vendas de itens que não são vinculados à saúde e higiene, como refrigerante, doces, calçados, entre outros. "A nossa Vigilância Sanitária já não permite isso, diferentemente de outros Estados", observa.
Em Canoas e São Leopoldo, mudanças já valem
Em estabelecimentos de Canoas e São Leopoldo, as novas regras já estão sendo colocadas em prática. Em farmácias do Centro de Canoas, os remédios foram transferidos para longe do alcance das mãos dos consumidores. Ao invés de comprimidos, as gôndolas estavam recheadas de sabonetes e cremes. O gerente de uma farmácia no Calçadão, Jean Raach, disse que a mudança será um pouco prejudicial à empresa, mas beneficiará os consumidores. "Vai inibir a automedicação ou a medicação excessiva", acredita.
A costureira Jane dos Anjos, 43 anos, acha queamudança não fará grande diferença. "A única alteração é que teremos de pedir remédios, como analgésicos, ao atendente, até porque não há necessidade de apresentar receita para comprá-los", comentou.
Em São Leopoldo, há drogarias que já retiraram 95% dos medicamentos expostos, mas gerentes aguardam a visita de fiscais para saber se estão cumprindo corretamente as regras. "Tivemos uma reunião e colocamos todos os medicamentos no lado interno do balcão, mas queremos saber ao certooque pode e o que não pode", disse Mário Saraiva Trindade, responsável por um estabelecimento na Rua Independência, Centro.