A irresponsabilidade de alguns pais e a falta de fiscalização da Capitania dos Portos de Pernambuco estão colocando em risco os banhistas da Praia de Enseadinha, em Serrambi, Litoral Sul do Estado. Durante pouco mais de uma hora no local, na tarde desta segunda-feira, a reportagem do Jornal do Commercio flagrou crianças e adolescentes conduzindo jet-skis, com e sem o acompanhamento de responsáveis, e pessoas pilotando embarcações em área proibida (a 200 metros da areia). O alto número de irregularidades tem deixado os frequentadores de Enseadinha indignados.
Um jet-ski normal, desses que são comumente encontrados no litoral brasileiro, alcança velocidade de 30 a 40 nós. O impacto da embarcação em algum banhista pode ser mortal. O perigo iminente preocupa. “Eles passam na maior velocidade em lugares onde há muitos banhistas, inclusive crianças”, reclama a psicóloga Carla Patrícia Sícolo, 35 anos, que está passando o Carnaval em Serrambi com a família. “É muito perigoso”, opina.
Ceder o jet-ski a menores de 18 anos é infração grave, que prevê multa de até R$ 2 mil. O condutor deve trajar colete salva-vidas, ter no mínimo 18 anos e habilitação da Marinha. Essas informações parecem ser desconhecidas por muitos donos de embarcações. “É uma irresponsabilidade sem tamanho. É como se essas crianças não tivessem pai”, diz um veranista que não quis ser identificado. Nas suas saídas de lancha pela região, ele disse já ter presenciado vários “quase-acidentes”, proporcionados pela falta de experiência e de habilitação dos condutores. “Nessas férias, o problema está mais gritante do que nunca. Tenho visto cada vez menos fiscalização”.
O estudante Gilberto Arraes, 15, prefere andar até a praia de Maracaípe para surfar a se arriscar nas águas do mar de Serrambi. “Ontem mesmo, no fim da tarde, eu vi algumas crianças que pareciam ter uns 10 anos pilotando sozinhas”, relata.
“Falta conscientização aos que frequentam a praia”. É o que opinam o engenheiro Ítalo Regiani, 48, e a jornalista Leila Lopes, 46, proprietários de uma casa no condomínio Enseadinha Prince há cinco anos. “A gente vem de São Paulo para cá com os nossos dois filhos a cada dois meses. O lugar é maravilhoso. O que atrapalha é a falta de respeito às normas”, observa Ítalo. “Esse problema poderia ser facilmente resolvido com um maior efetivo de fiscais.”
Para o empresário Jonas Figueiredo, 38, é um absurdo dar o veículo a pessoas não habilitadas. “Eu sempre uso e coloco coletes salva-vidas nos meus filhos quando vou para o mar. Nunca deixo eles pilotarem”, afirma. Apesar disso, ontem ele cometia uma irregularidade bastante comum na região, o excesso de passageiros. Eram quatro pessoas a bordo do seu jet-ski (o condutor e seus três filhos pequenos), uma a mais do que o permitido.
O JC procurou representantes da Capitania dos Portos, por telefone, mas obteve a informação de que o órgão só reabrirá na quarta-feira.