O governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio (DEM), disse neste domingo, em Brasília, que todos os contratos do governo local com empresas citadas no inquérito da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, serão revistos. Mesmo após denúncias de que essas empresas estariam alimentando um suposto esquema de pagamento de propina, o orçamento do Distrito Federal prevê pagamento a essas companhias.
Paulo Octávio afirmou que os contratos sem licitação devem ser cancelados. "Pedi ao secretário de Planejamento que fizesse um estudo sobre todas as citações de empresas para avaliar caso a caso. A princípio seria conveniente não prosseguir com nenhum projeto em execução com empresas que não participaram de processos licitatórios."
No início do mês, a oposição fez pressão para que os contratos com as 23 empresas fossem auditados pelo Tribunal de Contas da União. Três empresas sob suspeita de financiarem o chamado Mensalão do DEM tiveram os sigilos bancário e fiscal quebrados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas os resultados não foram divulgados porque o processo corre em segredo.
Entenda o caso Arruda
O mensalão do DEM, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.
O governador José Roberto Arruda aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada. Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados".
As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que Arruda, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.