Por sete anos, uma lei municipal impedia que o carnaval de rua de São Luís fosse realizado nas avenidas, praças e becos do centro da capital. É onde está, por exemplo, a Rua Madre Deus, considerada o berço da cultura maranhense e onde vivem artistas, intelectuais, blocos e grupos teatrais.
Desde os primórdios do carnaval de São Luís, a região era o local procurado pelos foliões para as brincadeiras carnavalescas, mas, ao lado da vida cultural, o centro também abrigava as clínicas e hospitais, e este foi o argumento usado pelas autoridades públicas para que a festa fosse proibida. A medida valeu para os últimos sete anos.
O dispositivo foi derrubado pela Câmara Municipal no último semestre de 2009, que entendeu que a tradição sobrepõe a existência das casas de saúde. Além das ruas Madre Deus, São Pantaleão e a Praça Deodoro, o Ceprama – área aberta de shows e onde funciona o centro de artesanato da cidade – e inúmeras ruas e becos do bairro receberam uma decoração grandiosa, composta por portais e grandes máscaras sobre totens, e palcos, onde se apresentam artistas locais. É o circuito São Pantaleão.
Por causa da baixa no carnaval tradicional, marcado principalmente pela guerra de farinha de amido - os chamados blocos de sujos – muitos maranhenses da capital passaram a buscar outros destinos para passar o período momesco. Mas o superintendente de Ação e Difusão Cultural da Secretaria de Cultura do Maranhão, Wellington Reis, disse que a descentralização da festa é positiva.
“Como [o carnaval em cidades do interior está recebendo apoio do estado], muita gente sai de São Luís. [Assim] fica mais fácil fazer o carnaval aqui dentro da ilha. As famílias podem sair, não se formam grandes aglomerações como aquelas dos galos da madrugada da vida, em que você fica prensado, sem poder brincar”, afirmou.
Outra tradição que está sendo retomada é o chamado “carnaval de arrastão”, sempre na parte da manhã. Prejudicados pelos carnavais de clubes das décadas de 70 e 80, os blocos vinham deixando de existir ao longo dos anos. Mas estão sendo retomados, só que de forma tímida.
“Os blocos de arrastão estão começando a ser resgatados, mas infelizmente esse resgate veio muito tarde, e é terrivelmente cruel que nós tenhamos que envolver o comando da polícia no carnaval de manhã, à tarde e à noite. Nem efetivo para isso nós temos”, disse o superintendente.
A segurança para a festa em São Luís é feita por três mil homens das forças policiais do estado. Em cada entrada de ruas e becos, é possível ver barreiras de ferro e grupos de policiais, encarregados de revistar os foliões. A medida reduziu o número de brigas com uso de armas.
A organização do carnaval de São Luís reúne cerca de 200 pessoas. Em média, ocorrem 160 atrações por dia nos quatro circuitos da festa. A programação oficial termina amanhã (16).