O governador Anchieta Júnior (PSDB), assinou decreto que coloca Roraima em situação de emergência por causa da seca que assola a região. O decreto foi publicado ontem, sábado, 13 de fevereiro, no Diário Oficial do Estado. Ontem, o município de Boa Vista, único dos 15 municípios que ainda faltava adotar a medida, também homologou o decreto de situação de emergência.
Caso o quadro evolua e problemas maiores com risco à vida humana e perda de rebanho comecem a acontecer, há possibilidade de ser decretado estado de calamidade pública, assim como ocorreu em 1998.
Hoje mais de vinte mil roraimenses sofrem com a forte estiagem. Em alguns dos municípios, a Defesa Civil do Estado é quem faz o abastecimento de água potável nas residências, com um carro pipa. Em outros municípios, o poder público ou os moradores perfuram poços artesianos em busca de água.
A concentração dos trabalhos tem sido nas regiões Norte, mais castigada com a estiagem, e Oeste do Estado, que é onde está a fronteira do lavrado com as florestas, as unidades de conservação e a reserva indígena Yanomami, que também começa a ser atingida pelos incêndios.
No caso da capital, a área rural vem sendo atingida por incêndios. Nos outros municípios, Amajarí vem sendo o mais afetado. Há mais de uma semana equipes trabalham no combate ao fogo na localidade.
O Ministério do Meio Ambiente ofereceu 150 homens do Distrito Federal que podem a qualquer momento ser deslocados para o estado. Roraima conta com 250 homens, sendo 150 brigadistas e 100 homens do Corpo de Bombeiros trabalhando nas comunidades e municípios atingidos.
De acordo com o coordenador de Operações da Defesa Civil, coronel Kleber Gomes, o Estado trabalha agora na liberação dos R$ 10 milhões aprovados pelo Ministério da Integração Nacional para atender a população atingida pela seca em Roraima. "Temos que ser socorridos nesse momento de dificuldade porque o Estado tem limitações de recurso, assim como os municípios. Precisamos de recursos para atender a emergência", disse.
A Defesa Civil Nacional reconheceu até agora sete municípios em Situação de Emergência. Os únicos documentos que deverão ser enviados a Brasília nos últimos dias são os dos municípios de Boa Vista, Normandia e Pacaraima, que recentemente adotaram a medida, e o decreto do Estado. A documentação demora cerca de 15 dias para chegar via Sedex.
Focos de incêndio chegam a 66
De acordo com Joaquim Parimé Lima, coordenador do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), as brigadas de combate a incêndios florestais já atuaram em 66 áreas com focos de incêndio.
Ao todo, são 131 homens que atuam nas ações de combate. Além disso, há o apoio de dois helicópteros, sendo que um está em Pacaraima na fronteira com a Venezuela e o outro concentra os esforços na região de Amajarí, município que apresenta uma quantidade maior de focos de calor e incêndios no momento.
Seca atinge lavouras e rios
Em São João da Baliza, no sul do Estado, além da falta de água, as safras de banana, arroz e milho estão comprometidas. Até a usina de beneficiamento de arroz da cidade está fechada porque não conseguiu produzir por falta do grão, devido à escassez de água.
Em Caroebe, outro dos municípios onde foi decretado calamidade pública, parte da plantação de banana está prejudicada por causa da seca do rio de mesmo nome, que abastece a cidade. Outros rios menores da região igualmente estão secos.
Para a falta de água aos animais, que consequentemente perdem peso, as equipes realizaram um cadastramento dos produtores rurais, e aqueles colocados numa lista de prioridade recebem em suas propriedades a construção dos bebedouros para os animais, conhecidos como "cacimbões", uma espécie de açude um pouco menor.
Estiagem deve piorar, diz metereologista
O analista ambiental da Fundação Nacional do Meio Ambiente, Ciências e Tecnologia (Femact), Ramom Alvez, disse que o clima quente em Roraima nos próximos três meses não vai amenizar e a previsão é que a situação possa a se equiparar a da grande seca ocorrida em 2003.
"Foi feita uma comparação e verificou-se que naquela época de grandes incêndios e seca, ocorreram mais chuvas do que neste período. Então o verão será mais rigoroso que aquele período. Por conta dessa preocupação é que todos os órgãos e instituições se reuniram para tentar controlar as queimadas e evitar que ocorram tragédias devido aos incêndios".
A previsão para os próximos três meses para Roraima é que as chuvas ocorram abaixo do normal neste período. As previsões são de intensificação do Fenômeno El Niño até maio e de chuvas ainda abaixo da média na bacia do Rio Branco. O fenômeno é responsável pelo aquecimento das águas do oceano Pacífico, elevando a temperatura na Região Norte, trazendo a seca e levando as chuvas para a Região Sudeste.