Com o objetivo de cumprir mandados de busca e apreensão em torno da Operação Caixa de Pandora, que investiga o escândalo do “mensalão do DEM”, a ação deflagrada neste sábado pela Polícia Federal teve como alvo o Centro Administrativo do Governo do Distrito Federal, conhecido como Buritinga, e o Palácio do Buriti, sede oficial do governo.
A operação mobilizou 15 equipes da PF e recolheu documentos, arquivos de computador, além de R$ 1 mil em um dos endereços e US$ 2,6 mil, em outro. O dinheiro foi apreendido em uma das 11 residências envolvidas na busca, no entanto, a PF não informa de quem são as casas e em qual delas as notas em espécie foram encontradas.
A PF também não confirmou se uma casas visitadas era do governador afastado José Roberto Arruda, que está preso desde quinta-feira na superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A operação foi coordenada pelo delegado Alfredo Junqueira, responsável pela Operação Caixa de Pandora, e foi feita a pedido do Ministério Público.
Suborno
Arruda foi preso por ser o suposto articulador de uma tentativa de suborno ao jornalista Edson Sombra, no dia 4 de fevereiro. Um dos emissários de Arruda, o conselheiro do metrô do DF Antonio Bento da Silva foi flagrado pela PF quando entregava uma sacola com R$ 200 mil a Sombra. Um bilhete escrito por Arruda e entregue a Naves seria a prova que ligaria o governador à proposta de suborno.
Segundo o ministro Fernando Gonçalves, presidente do inquérito do mensalão do DEM, a prisão do governador foi necessária diante das evidências de que ele teria tentado corromper uma testemunha. Ele argumentou ainda que Arruda deve ser afastado porque a permanência dele no governo atrapalharia as investigações.
Além de determinar a prisão de Arruda, a decisão do STJ estipulou o afastamento do governador do cargo. O vice-governador Paulo Octávio (DEM) assumiu o cargo interinamente. Octávio também é suspeito de participar do suposto pagamento de propina que envolve o governador, deputados distritais, empresários e integrantes do governo do DF.
Arruda
Desde os primeiros instantes de prisão, Arruda acionou uma equipe de advogados para tentar reveter a decisão que o privou da liberdade. Ainda na noite de quinta, os defensores do governador protocolaram um pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a soltura.
Na tarde desta sexta-feira (12), depois de analisar os argumentos, o ministro Marco Aurélio Mello negou o pedido e manteve Arruda preso. A decisão final sobre o recurso ficará a cargo do plenário do STF, que deve se reunir apenas depois do carnaval.
Arruda já recebeu visitas da mulher dele, Flávia, de secretários de governo e deputados aliados. Eles relataram ter encontrado um governador "abatido" e em situação "humilhante".
O governador do DF teria passado a primeira noite na cadeira em claro. Para passar as horas, segundo os advogados, ele estaria se dedicando aos livros.
