O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou um evento em Goiânia para deixar claro que deseja a permanência do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, até o final de seu mandato. Meirelles já abriu mão de disputar o governo de Goiás e, segundo o ministro Paulo Bernardo (Planejamento), também desistiu de uma vaga ao Senado.
A Meirelles existe a possibilidade, hoje improvável, de ser candidato a vice-presidente, como nome do PMDB, na chapa da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).
"Da última vez que eu vim aqui, eu citei o nome do Meirelles e deu um bafafá danado. Desta vez, eu já não vou citar mais. Desta vez, eu disse \'Meirelles fica no governo até o final, cumpra o seu mandato comigo até o final", disse Lula em evento ao lado do presidente do BC em Goiânia.
Desde que anunciou sua filiação no ano passado, se especula se Meirelles permanecerá no cargo até o final do governo ou se irá disputar as eleições e, neste caso, para quê.
Meirelles tinha basicamente três opções eleitorais. A primeira seria a candidatura ao governo de Goiás, mas ela esbarrava na pretensão do atual prefeito de Goiânia e ex-governador, Iris Rezende.
Na quarta-feira, em Brasília, Iris disse que abriria espaço para Meirelles ser o candidato, mas cobrou pressa na definição. Um dia depois dessas declarações, o presidente do BC divulgou nota abrindo mão de ser candidato, reafirmando que seu futuro profissional será anunciado apenas no final de março --para disputar as eleições de outubro, os ocupantes de cargos executivos precisam deixar seus postos até o início de abril.
Outra alternativa seria disputar umas das duas vagas ao Senado que estarão em jogo no Estado, mas segundo o ministro do Planejamento, isso já foi descartado. "Ele não vai ser candidato a governador e já me disse que não será candidato ao Senado", disse Paulo Bernardo a jornalistas após evento com prefeitos no Rio de Janeiro, nesta manhã.
A última opção seria tentar emplacar como candidato a vice, na chapa de Dilma. Lideranças do PMDB, no entanto, consideram isso improvável. Para elas, o lugar já tem dono, o presidente da legenda e da Câmara dos Deputados, Michel Temer (SP).
Sobre uma cadeira à Câmara dos Deputados, Meirelles sequer teria pensado nisso, depois de ter sido o candidato a deputado mais votado na história do Estado em 2002. Eleito pelo PSDB, abriu mão do mandato para aceitar o convite de Lula para assumir o comando do BC.