Na opinião de juristas renomados, é pouco provável que a União interfira, como pediu o procurador-gral da República, Roberto Gurgel, na situação do Distrito Federal após denúncias de corrupção.

Segundo as denúncias, o governador José Roberto Arruda (ex-DEM, atualmente sem partido), membros do seu governo e integrantes do Legislativo e Judiciário local estão envolvidos em um forte esquema de corrupção.

A intervenção do governo federal seria uma medida excepcional e que pode trazer consequências para o próprio poder federal que, enquanto vigorar a intervenção, fica impedido de fazer mudanças na Constituição, exemplificou o constitucionalista Mamede Said, professor da UnB (Universidade de Brasília).

A medida mexe no princípio da autonomia dos estados, no qual o poder mais amplo pode interferir com poderes plenos, declarou Said.

O professor ainda acredita que é muito difícil o Supremo aceitar o pedido do procurador, lembrando que ainda nunca houve uma intervenção no período democrático.

Mamed Said ainda acredita que também não há interesse do governo federal em manter uma intervenção no último ano de governo, pois pode paralisar muitas coisas.

Caso o pedido do procurador seja acatado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o presidente fica obrigado a nomear um interventor.

O pedido de intervenção foi feito pelo procurador-geral, Roberto Gurgel, ao presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, após a prisão de arruda ser decretada.

Gurgel alega no pedido de intervenção, que as investigações da Polícia Federal apontam que Arruda "lidera um grupo que, por ser constituído pelas mais altas autoridades do DF, instalou-se no governo e utiliza funções públicas para desviar e apropriar-se do dinheiro público".