César Sampaio pretende ir à Justiça contra dois torcedores do Rio Claro. O ex-jogador, um dos diretores do clube do interior paulista, afirma ter sido vítima de racismo durante um jogo da equipe.
O incidente teria ocorrido no sábado, durante a derrota do Rio Claro para o Oeste por 1 a 0. César Sampaio assistia à partida no camarote ao lado do ex-zagueiro Cléber, hoje um dos sócios da C2B, empresa que comprou o clube em novembro, quando torcedores reclamaram do time e começaram a agredí-lo verbalmente.
“Eles reclamaram do jogo e extrapolaram. Chamaram a gente de macaco e de urubus. Eu convivo com isso desde a infância, não é nada novo. Mas merecemos respeito”, afirmou o dirigente, em entrevista ao Sportv.
O ex-jogador que disputou a Copa do Mundo de 1998 disse que já encaminhou a situação para o departamento jurídico do clube tomar as devidas providências. “Ainda não sei ao certo o que será feito. Mas já encaminhei tudo para o departamento jurídico e eles vão agir. Estou trabalhando, meu caráter não merece isso”, afirmou.
No Campeonato Paulista, o Rio Claro está na zona de rebaixamento. O time ocupa a antepenúltima posição com apenas quatro pontos ganhos em sete partidas. Segundo César Sampaio, quando a empresa C2B assumiu o time havia uma dívida de R$3 mi. Mas ele confia na manutenção da equipe na divisão de elite.
“As coisas estavam difíceis e conseguimos equilibrar a situação. Montamos um time dentro do que o Rio Branco pode pagar e hoje o Rio Claro paga todos os salários em dia. São mais de 30 pessoas lutando pela revitalização do Rio Claro. Não será essa minoria que vai me tirar”, disse.
A informação sobre o racismo foi levantada pelo Jornal Estado de São Paulo. Em entrevista ao periódico, outro sócio da C2B, Renato Romani, disse que o trabalho já está sendo feito para que os agressores sejam identificados. “Eles são sócios-torcedores e têm carteirinha com foto. Vamos notificá-los judicialmente; eles vão ter de responder ao juiz” disse.
Para o próximo jogo do Rio Claro em casa (quarta-feira, contra o Ituano), algumas medidas serão tomadas. “A segurança vai ser reforçada e a área das cadeiras vai ter um preço elevado, pois vamos diminuir seu espaço para aumentar o isolamento dos camarotes”, disse Romani, referindo-se ao setor no qual o incidente ocorreu.