A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, evitou qualquer comentário sobre a possibilidade de o presidente da Câmara, deputado federal Michel Temer (PMDB-SP), vir a ser o vice em uma chapa presidida por ela à Presidência da República.
- Não ponho a carroça na frente dos bois.
A ministra fez a declaração em entrevista coletiva antes de reunião com prefeitos paranaenses no campus da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.
Segundo a ministra, a questão somente será colocada quando os partidos tiverem discutido internamente.
- Não posso discutir quem será vice ou deixará de ser em respeito ao PT. O PT vai fazer um congresso e, quando tiver um pré-candidato, será possível avançar, mas não tanto quanto alguns vão querer. É um processo de diálogo, as pessoas vão conversar e tudo tem seu tempo.
Em relação ao documento sobre as diretrizes do PT a ser discutido no congresso do partido, que prevê fortalecimento do Estado, a ministra destacou que há uma "relação virtuosa entre o papel do Estado e do setor privado".
- O fundamentalismo que quer uma coisa ou outra está ultrapassado, foi enterrado pela crise financeira internacional.
Segundo ela, o que resultou claramente da crise é que "não é possível mais o fundamentalismo de que o Estado acabou e reina tranquilamente só o mercado".
De acordo com Dilma, se o Brasil não tivesse bancos públicos e um Estado fortalecido, a crise seria sentida de forma mais grave.
- O setor privado teria sofrido de forma séria os efeitos da crise, teria demitido muitos trabalhadores. O Estado brasileiro segurou o setor automotivo.
A ministra afirmou que "o setor privado não pode abrir mão do Estado", mas voltou a reforçar a necessidade de união entre os dois setores. "É a combinação que faz o Brasil sair da situação que estava em 2003 para sermos cotados hoje para ser a quinta potência."