O fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, entregou-se na manhã deste sábado à Polícia Civil de Altamira, no Pará. Ele é acusado de ser o mandante do assassinato da missionária Dorothy Stang, morta em 2005. A prisão foi decretada por decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) da última quinta-feira (4).

De acordo com a polícia, ele chegou à delegacia por volta das 6h acompanhado de seu advogado e, ainda pela manhã, foi encaminhado ao presídio da cidade de Altamira.

Bida foi condenado a 30 anos de prisão pelo Tribunal de Júri do Pará, mas, em um novo julgamento, absolvido. O Ministério Público recorreu ao Tribunal de Justiça do Pará e conseguiu anular a absolvição, com uma nova decretação de prisão.

A defesa de Bida, porém, pediu um habeas corpus para que ele continuasse em liberdade. Em decisão liminar (provisória), a defesa do fazendeiro foi atendida. Na quinta, entretanto, no julgamento definitivo da questão, os ministros da Quinta Turma do STJ determinaram a prisão do fazendeiro.

Dorothy tinha 73 anos quando foi baleada com seis tiros em uma estrada de terra de Anapu, que fica a 300 km de Belém, no sudoeste do Pará. O crime ocorreu no dia 12 de fevereiro de 2005. A freira tinha origem norte-americana, mas era naturalizada brasileira. Iniciou seu ministério no Brasil na década de 60 pelo Maranhão, mas na região do Pará, onde foi assassinada, viveu cerca de 20 anos. Dorothy Stang ficou conhecida pela ativa atuação pastoral e missionária, voltada para trabalhadores rurais e para a redução de conflitos fundiários.