O mistério do desaparecimento dos seis jovens em Luziânia (GO) completa um mês neste sábado (30). As vítimas são todas do sexo masculino, com faixa etária entre 13 e 19 anos, sumiram nas primeiras horas do dia e moravam no Parque Estrela Dalva. A Polícia Civil de Goiás investiga os casos separadamente, mas ainda não tem pistas sobre o que aconteceu com os garotos. Cirlene Gomes Rabelo, 42 anos, mãe de George Rabelo dos Santos, 17 anos, desaparecido desde terça-feira (12), disse ao G1 não ter receio de que o filho esteja morto.

 

Ela disse que o filho "estava sempre sorrindo" e tinha um sonho de comprar uma casa perto de onde vive com a mãe. "Eu saio todos os dias para procurá-lo nas ruas, nos buracos, nas matas e em todos os terrenos. Não deixo de ver um lugar sequer. Quero ver meu filho de novo, com ou sem vida. Dói dizer isso, pois tenho fé, mas já perdi o medo de que meu filho esteja morto."

Cirlene afirmou que o filho nunca ficou mais de dois dias fora de casa. "Mesmo quando não voltava para casa, ele sempre ligava avisando, seja porque estava trabalhando ou com a namorada. Essa foi a primeira vez que ele nos deixou sem informação".

O estopim

O primeiro da série de jovens a sumir foi Diego Alves Rodrigues, 13 anos, em 30 de dezembro de 2009. "Ele foi visto com um homem de aproximadamente 35 anos e que carregava uma enxada nas mãos. Essa é a última informação que temos", disse Gláucia Rodrigues, irmã do desaparecido.

A mãe, Aldenira Alves de Souza, 52 anos, ainda está em estado de choque e de pânico. Ela deixou de trabalhar para procurar o filho. "Minha mãe vive tomando calmante depois do que aconteceu. Não consegue pensar em outra coisa que não seja meu irmão."

 

Glaucia disse ainda que também deixou o trabalho de diarista para procurar o irmão. "Faz um mês que ele sumiu e as autoridades não dizem nada, não descobrem o que aconteceu. Só não andei de jegue, pois fiz de tudo para tentar achar meu irmão. Ainda temos fé que ele vai voltar são e salvo para casa."

 

 

 

Mistério

Além de Diego e George, também estão desaparecidos Paulo Vitor de Azevedo Lima, 16 anos, que não voltou para casa desde 4 de janeiro; Divino Luiz Lopes, 16 anos, sumido desde 13 de janeiro; Flávio Augusto Fernandes, 14 anos, sem paradeiro desde 18 de janeiro.

 

Desde sexta-feira (22), também é considerado desaparecido o jovem Márcio Luiz Souza Lopes, 19 anos. Segundo a Polícia Civil, as vítimas não eram amigas, não frequentavam os mesmos lugares, não tinham passagem policial e tinham bom relacionamento familiar, o que torna o caso intrigante.

 

 

Investigação sem pistas

O delegado José Luis Martins de Araújo, responsável pela Delegacia Regional de Luziânia, disse ao G1 que o trabalho de investigação fica prejudicado a cada dia que passa. "Por isso resolvemos destacar uma equipe de investigadores para cuidar de cada caso. O objetivo é correr contra o tempo e solucionar os desaparecimentos o quanto antes."

 

Os familiares dos jovens desaparecidos reclamam da falta de informação passada pelos policias desde a notificação dos sumiços. "Já disseram que tinha um carro envolvido na história, que tinha o retrato-falado de um suspeito. Não sabemos o que a polícia já sabe ou o que ela fez", disse Cirlene.

 

Para Josuemar de Oliveira, delegado chefe da Polícia Judiciária de Goiás, os casos de desaparecimentos são considerados comuns pelos policiais. "O que faz desses casos mais intrigantes são as características do perfil de cada um dos jovens. Tudo aconteceu em um prazo pequeno de tempo, os jovens são da mesma faixa etária, moram perto um do outro e não se conheciam. Outro fato atípico são os horários dos desaparecimentos, que ocorreram entre 9h e 12h."

 

Olveira descartou as hipóteses iniciais de que os jovens teriam sido vítimas de uma seita religiosa, da ação de sequestradores para trabalho escravo, de tráfico de seres humanos e de órgãos. "Já eliminamos algumas hipóteses, mas o que temos de focar agora é a solução completa dos casos. Só assim poderemos ter certeza do que aconteceu com os meninos."

 

O delegado disse que é impossível que os desaparecimentos não tenham sido testemunhados por moradores da região. "Faço um apelo para que as pessoas que tiverem algum tipo de informação sobre os meninos procurem a delegacia ou liguem para (62) 197 - Disque Denúncia. Não é preciso se identificar."