O primeiro-ministro russo Vladimir Putin convidou nesta quarta-feira seu colega polonês Donald Tusk para lembrar o 70º aniversário do massacre de Katyn - a morte de 22.500 oficiais poloneses pela polícia secreta soviética - um fato sem precedentes nas relações entre poloneses e russos.
"É a primeira vez que a Rússia toma a iniciativa dessa celebração. Pela primeira vez, também, um primeiro-ministro russo e um primeiro-ministro polonês vão prestar homenagens juntos às pessoas mortas em Katyn" (leste da Rússia), declarou à AFP Andrzej Przewoznik, secretário do Conselho Nacional de Preservação da Memória da Polônia.
"O primeiro-ministro russo Vladimir Putin telefonou nesta quarta-feira para o seu colega polonês para convidá-lo para as cerimônias da tragédia de Katyn", anunciou nesta quarta-feira à imprensa o porta-voz do governo polonês Pawel Gras.
"Putin ressaltou que estava consciente da importância que Katyn possui na memória dos poloneses", acrescentou.
O primeiro-ministro polonês, que aceitou o convite, classificou-o de "passo muito importante no caminho da melhoria das relações entre os dois países", indicou Gras.
Depois da queda do Comunismo, em 1989, todos os presidentes e a maioria dos primeiros-ministros poloneses visitaram Katyn, símbolo da memória polonesa, não para visitas oficiais.
As recusas reiteradas da justiça russa em reabrir a investigação provocaram descontentamento na Polônia nos últimos anos.
Na floresta de Katyn, uma pequena aldeia próxima a Smolensk, no leste da Rússia, e também em outros lugares, 22.500 oficiais poloneses foram assassinados com um tiro na nuca em 1940 pelo serviço secreto soviético por ordem de Stalin. Eles tinham sido feito prisioneiros após a invasão da Polônia pela União Soviética, em setembro de 1939, pelos termos de um pacto secreto com a Alemanha nazista, o Pacto Germano-soviético.
O massacre foi revelado pela primeira vez pelos alemães que indicaram a localização das covas comuns após a ruptura do pacto e a invasão da URSS em 1941.
A URSS jogou imediatamente a responsabilidade do massacre sobe os nazistas. O Ocidente manteve o silêncio para não prejudicar suas relações com Moscou, que se tornara um aliado indispensável na guerra contra Adolf Hitler.
Em abril de 1990, o presidente soviético Mikha¯l Gorbatchev acabou reconhecendo a responsabilidade da URSS. Na Polônia, praticamente até a queda do Comunismo, era proibido falar de Katyn, cuja floresta de tornou o símbolo do massacre das elites polonesas, mesmo com a ocorrência de massacres semelhantes em outros locais, em Kharkiv (Ucrânia) e em Miednoie (Rússia).
Ao anunciar o convite, o porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, deu uma visão mais ampla do significado simbólico da região. São lugares ond,e "no final dos anos 1930, muitos cidadãos soviéticos morreram em razão de repressões políticas, onde oficiais poloneses foram eliminados e onde, mais tarde, vários combatentes do Exército Vermelho foram mortos pelo ocupante nazista", declarou ele em Moscou.